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Inflação no Brasil e EUA e tensão no Irã: o que move os mercados

IPCA e CPI concentram atenções dos investidores nesta sexta-feira, 10, com tensões no Oriente Médio no radar também

Agenda do mercado: o IBGE publica o Índice de preços ao consumidor (IPCA) de março, principal termômetro da inflação brasileira (Tetra Images/Getty Images)

Agenda do mercado: o IBGE publica o Índice de preços ao consumidor (IPCA) de março, principal termômetro da inflação brasileira (Tetra Images/Getty Images)

Publicado em 10 de abril de 2026 às 05h30.

Os mercados começam esta sexta-feira, 10, com uma agenda carregada de indicadores de inflação no Brasil e no exterior, em um dia que tende a calibrar expectativas sobre juros e trajetória de preços nas principais economias.

Logo cedo, às 3h, sai o índice de preços ao consumidor (CPI) da Alemanha, referente a março, com dados finais após a leitura preliminar indicar alta de 0,2% na margem e de 1,9% em base anual em janeiro.

Mas o foco dos investidores está concentrado na sequência de divulgações no Brasil e nos Estados Unidos ao longo da manhã.

Às 9h (horário de Brasília), o IBGE publica o Índice de preços ao consumidor (IPCA) de março, principal termômetro da inflação brasileira, além do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) no mesmo horário.

Em fevereiro, o IPCA avançou 0,70% no mês e acumulava alta de 3,81% em 12 meses, enquanto o INPC subiu 0,56% no mês e 3,36% no ano. Os números são relevantes para ajustar as apostas sobre os próximos passos da política monetária no país.

Pouco depois, às 9h30, será a vez dos Estados Unidos divulgarem o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de março, junto com o núcleo do indicador, que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia.

Na última leitura disponível, o índice cheio subiu 0,3% na margem e 2,4% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou 0,2% no mês e 2,5% no ano. Os dados são acompanhados de perto por investidores por seu peso nas decisões do Federal Reserve.

Ainda nos EUA, às 11h, a Universidade de Michigan divulga a prévia de abril do índice de confiança do consumidor e das expectativas de inflação. Em março, a confiança ficou em 53,3 pontos, enquanto as expectativas de inflação estavam em 3,8% para 12 meses e 3,2% no horizonte de cinco anos.

Geopolítica segue no radar

No campo político, o principal foco permanece sendo o conflito no Oriente Médio, que continua trazendo volatilidade aos mercados. Os Estados Unidos devem sediar, na próxima semana, o início de negociações diretas entre Israel e Líbano para um possível cessar-fogo, em paralelo às tratativas envolvendo o Irã no Paquistão.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que autorizou o início das negociações para desarmar o Hezbollah e estabelecer relações pacíficas com o Líbano. Apesar disso, os ataques israelenses ao território libanês continuam, mesmo após a sinalização de uma trégua de duas semanas mediada no contexto das negociações entre Estados Unidos e Irã.

O cenário adiciona incerteza ao ambiente global, especialmente diante da condição imposta pelo Irã de interromper as ofensivas para avançar nas negociações. As conversas entre Washington e Teerã estão previstas para ocorrer no próximo fim de semana, em Islamabad.

Como foi o último pregão

Na véspera, os mercados brasileiros mostraram resiliência diante desse pano de fundo. O Ibovespa renovou seu recorde de fechamento nesta quinta-feira, 9, com alta de 1,52%, aos 195.129 pontos, retomando o rali observado no início do ano após a interrupção em março com a escalada das tensões no Oriente Médio.

O avanço ocorreu mesmo com fragilidades na trégua envolvendo o Irã e com a desaceleração dos preços do petróleo, que limitaram os ganhos das ações da Petrobras. Ainda assim, outros papéis de peso sustentaram o desempenho do índice, que acumula alta de 21% no ano e se aproxima de seu recorde histórico em termos reais.

Segundo analistas, o movimento tem sido impulsionado por fluxo estrangeiro e pelo ambiente de carry trade, em um contexto de dólar mais fraco e juros elevados no Brasil. No mercado internacional, o barril do Brent encerrou o dia cotado a US$ 95,92, com leve alta no after market, próximo a US$ 97.

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