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Como as plataformas de streaming lidam com músicas feitas por IA?

Ferramentas externas, pesquisas e novas regras colocam pressão sobre plataformas por mais transparência

Spotify: após 20 anos, novo desafio da plataforma é identificar IA (Christian Hartmann/Reuters)

Spotify: após 20 anos, novo desafio da plataforma é identificar IA (Christian Hartmann/Reuters)

Maria Eduarda Lameza
Maria Eduarda Lameza

Estagiária de jornalismo

Publicado em 28 de abril de 2026 às 09h37.

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Em 2025, o programador Cedrik Sixtus, da Alemanha, criou uma ferramenta para identificar e bloquear músicas suspeitas de terem sido geradas por inteligência artificial em playlists do Spotify.

O software, segundo a BBC, foi batizado de Spotify AI Blocker e publicado em plataformas de compartilhamento de código. Centenas de pessoas baixaram a ferramenta.

O bloqueador usa uma lista com mais de 4,7 mil artistas suspeitos de recorrer à IA. A seleção se baseia em monitoramento comunitário, volume incomum de lançamentos, capas com estética associada à tecnologia e ferramentas externas de detecção.

Sixtus afirma que a questão é de escolha do ouvinte. Para ele, a própria plataforma deveria identificar esse tipo de conteúdo e permitir que usuários decidissem se querem ouvir músicas feitas por IA.

A ferramenta funciona inicialmente pela versão web do Spotify, no navegador. O programador alertou que o uso do software pode violar os termos de serviço da plataforma.

O que está em disputa?

A presença de músicas feitas por IA em serviços de streaming abriu uma disputa sobre transparência, remuneração e autoria. Ferramentas como Suno e Udio conseguem gerar canções completas, com letra, voz e instrumentação, a partir de comandos de texto em segundos.

A BBC relata que dezenas de milhares dessas faixas são enviadas diariamente às plataformas de streaming. O debate também envolve o impacto sobre artistas humanos. Faixas geradas por IA passam a disputar atenção e receita dentro do mesmo ambiente de recomendação, busca e playlists.

A rotulagem enfrenta um problema técnico e editorial. Nem toda música que usa IA é totalmente gerada por IA. Há casos em que a tecnologia cria a faixa inteira. Em outros, ela auxilia em etapas específicas, como letra, composição, arranjo ou produção.

Os números do debate

Uma pesquisa da Deezer em parceria com a Ipsos citada pela BBC mostrou que 97% dos ouvintes não conseguiram diferenciar corretamente músicas feitas por IA de faixas criadas por humanos.

O mesmo levantamento indicou que cerca de 80% dos entrevistados defendem que músicas geradas por IA sejam claramente rotuladas.

Spotify, YouTube Music e Amazon Music evitam, até agora, rótulos claros ou filtros visíveis para usuários, segundo a BBC.

O Spotify afirma priorizar o combate a usos nocivos da tecnologia, como falsificação de identidade, spam e envio massivo de faixas. Já a Deezer adotou uma abordagem diferente. A plataforma passou a rotular álbuns que contêm faixas geradas por IA e a retirar esse conteúdo de recomendações algorítmicas e playlists voltadas a músicas criadas por humanos.

A Apple Music anunciou em março deste ano que passaria a adotar “etiquetas de transparência” e que, no futuro, exigiria de gravadoras e distribuidoras informações sobre o uso de IA em novas músicas.

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