Venezuela: 5 nomes da música venezuelana que criticaram o governo (Alexander Tamargo/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 20h16.
O início de 2026 foi marcado por mais um capítulo turbulento da crise política e social da Venezuela. Os Estados Unidos invadiram o país sul-americano na madrugada do último sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar que contou com bombardeios em Caracas, a capital do país, e em outras regiões.
O regime de Nicolás Maduro começou em abril de 2013, quando ele assumiu a presidência após a morte de Hugo Chávez, e se estendeu por mais de uma década. Ao longo desse período, o país viveu diversas crises econômicas, políticas e sociais, marcadas por hiperinflação, escassez de produtos básicos, migração em massa e questionamentos internacionais sobre a legitimidade de eleições e a condução do governo.
Com isso, parte da cena musical venezuelana ganhou projeção justamente por vocalizar críticas ao regime e dar voz ao descontentamento popular, dentro e fora do país.
Conheça cinco artistas venezuelanos que ganharam destaque no cenário musical:
Dono de hits globais, Danny Ocean nunca escondeu suas críticas à situação política da Venezuela. Vivendo fora do país, ele já se manifestou publicamente contra o governo e costuma abordar, ainda que de forma sutil, temas como liberdade e exílio em suas músicas e entrevistas.
Seu maior sucesso, a música "Me Rehúso", de 2016, fala sobre a recusa de se despedir da pessoa amada, que se tornou um hino para os que venezuelanos que tiveram que imigrar. Em 2024, ele lançou o EP "Venequia", dedicado à sua terra natal.
Com carreira consolidada como compositora e intérprete, Elena já falou abertamente sobre o impacto da crise venezuelana em sua trajetória pessoal. Suas declarações contra o autoritarismo e a falta de perspectivas no país a colocaram como uma das artistas que representam a diáspora venezuelana na música latina atual. Uma das suas canções mais famosas é "Caracas en el 2000", canção nostálgica sobre a capital venezuelana de décadas atrás.
A banda Rawayana também se destaca nesse cenário. Misturando reggae, pop e ritmos latinos, o grupo construiu uma identidade ligada à crítica social e ao desejo de mudança. Em letras e posicionamentos públicos, os integrantes já demonstraram oposição ao governo e solidariedade às manifestações populares. Em uma entrevista a EFE, da Espanha, em 2024, o vocalista da banda, Beto Montenegro, disse que "os venezuelanos estavam cansados de viver o mesmo e estão sedentos por mudança'.
No mesmo ano, após o sucesso da música “Veneka”, com o rapper venezuelano Akapellah, o grupo teve que cancelar sua turnê no país, porque a faixa provocou uma reação negativa do governo, que a considerou "insultante e depreciativa".
No domingo, após a notícia da prisão de Maduro, a banda fez um post com a música “Tonada por ella”, uma balada folk dedicada à dor do exílio.
Já a dupla Mau y Ricky, filhos do cantor venezuelano Ricardo Montaner, ganhou fama internacional com músicas românticas e dançantes, mas também passou a se posicionar politicamente. Os irmãos já criticaram o governo venezuelano e falaram sobre a dor de ver o país mergulhado em uma crise que afeta milhões de famílias.
Em 2024, lançaram o álbum "Hotel Caracas" após 15 anos longe do país. Em entrevista à Billboard, os irmãos revelaram que o álbum foi criado como uma homenagem à Venezuela.
Conhecido por letras diretas e discurso afiado, o artista construiu sua carreira denunciando desigualdades, repressão e problemas estruturais da Venezuela. Suas músicas e falas públicas o tornaram uma referência de contestação dentro do hip hop latino. Em seu Instagram, o artista disse "Um tempo de transição está chegando".