O dia 1º de maio, feriado do Dia do Trabalhador é, com certa ironia, o melhor momento para parar de trabalhar.
Nenhuma reunião, nenhum Slack, nenhuma planilha. Só você, o sofá e um livro que não tem nada a ver com as metas do trimestre.
A seleção dos livros, feita por jornalistas da EXAME, mistura ficção e não ficção — e foi pensada para quem trabalha demais e lê de menos.
- Intermezzo — Sally Rooney
Dois irmãos muito diferentes tentam lidar com o luto do pai enquanto navegam relacionamentos impossíveis. Rooney escreve sobre uma geração que trabalha demais e sente tudo intensamente. É o livro mais maduro da irlandesa.
- A Natureza da Mordida — Carla Madeira
Uma psicanalista aposentada e uma jovem jornalista se encontram num sebo de domingo e iniciam uma amizade improvável. As duas carregam perdas que demoram a revelar. Romance sobre o que não pode ser desfeito — e o que ficamos sem saber.
- A Vegetariana — Han Kang
Uma mulher comum decide parar de comer carne. O gesto simples desencadeia uma ruptura completa com a família, o marido e a sociedade. A Nobel coreana usa o corpo como campo de batalha entre conformidade e liberdade.
- Conversa na Sicília — Elio Vittorini
Um homem deixa Milão e volta à Sicília para visitar o pai que nunca conheceu bem. O que começa como viagem vira uma conversa sobre pobreza, memória e o que significa ser do lugar onde se nasceu. Clássico italiano de 1941, mais atual do que parece.
- Madonna de Casaco de Pele — Sabahattin Ali
Istambul, anos 1930. Um jovem turco se apaixona por uma artista alemã em Berlim e o encontro muda tudo. Romance sobre amor impossível e identidade nacional escrito por um autor preso por suas ideias e assassinado em 1948. Um dos livros mais vendidos da Turquia até hoje.
- Suíte Tóquio — Giovana Madalosso
A babá Maju pega a filha da patroa e desaparece. A mãe, Fernanda, demora horas para perceber o sumiço. Narrado em vozes alternadas, o livro é um duelo de classe, maternidade e desejo entre duas mulheres que nunca deveriam entender uma à outra — e entendem.
- A Hora da Estrela — Clarice Lispector
Macabéa é nordestina, datilógrafa, invisível. Rodrigo S. M. é o narrador que não consegue largar ela. Clarice escreveu seu último romance em 1977 como uma pergunta sobre quem tem o direito de existir — e quem decide isso.
- As Perfeições — Vincenzo Latronico
Anna e Tom são um casal de nômades digitais em Berlim: criativos, progressistas, perfeitamente instagramáveis. Por dentro, o vazio. Finalista do Booker International 2025, é um espelho incômodo para quem se reconhece nessa vida.
- O Grande Gatsby — F. Scott Fitzgerald
Nova York nos anos 1920. Jay Gatsby joga festas imensas para impressionar uma mulher que não vai aparecer. Um dos maiores romances americanos — sobre ilusão, classe e a impossibilidade de recuperar o passado. Tem 100 anos e não envelheceu.
- Ioga — Emmanuel Carrère
Carrère começa escrevendo um livro sobre meditação e termina internado numa clínica psiquiátrica. O que está no meio é uma das autoficções mais honestas e desorientadoras dos últimos anos. Leitura para quem aguenta olhar de perto.