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Empresa americana chega ao Brasil e mira 25% das grandes empresas até 2026

A StackAI chamou a atenção de um dos maiores bancos digitais do Brasil; agora, testa as águas para definir se pousa definitivamente em solo brasileiro

Laura Pancini
Laura Pancini

Repórter

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 11h47.

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A startup americana StackAI está aumentando a presença no Brasil e mira atender 25% das grandes empresas do país até 2026.

Fundada em 2022 pelos doutores em IA Antoni Rosinol e Bernard Aceituno, ambos formados pelo MIT, a empresa chega ao seu primeiro mercado internacional com uma plataforma no-code para criação de agentes de IA corporativos.

No Brasil, a companhia testa o mercado desde 2025 e mantém conversas com grandes instituições financeiras, enquanto acompanha os primeiros resultados de implementações com clientes iniciais.

À frente dessa expansão está o economista Felipe Giannetti, que vive há oito anos nos Estados Unidos e hoje responde pelo desenvolvimento de mercado tanto no Texas quanto no Brasil.

Segundo o executivo, cerca de 30% das empresas atualmente em negociação com a StackAI já são brasileiras. A meta é transformar esse interesse em contratos recorrentes nos próximos meses, a ponto de justificar a abertura de um escritório local.

O movimento marca a primeira etapa da estratégia internacional da empresa, que até aqui consolidou sua operação nos Estados Unidos com clientes como IBM, HP, MIT, Red Bull e Circle Medical.

Como funciona?

A StackAI oferece uma plataforma que permite desenhar fluxos de trabalho com IA sem depender de código, ou seja, não precisa ser desenvolvedor para criar algum produto.

A startup conecta dados estruturados e não estruturados a mais de 30 provedores de LLMs (modelos de linguagem, a 'engrenagem' que faz um ChatGPT rodar, por exemplo).

Esses fluxos se transformam em agentes corporativos que assumem tarefas em áreas como atendimento, backoffice, gestão de risco e análise de dados. A ideia é tornar operações mais eficientes, organizadas e automatizadas.

Quais os clientes?

Hoje, o alvo são empresas com, no mínimo, 300 funcionários e faturamento a partir de US$ 50 milhões nos Estados Unidos, ou cerca de R$ 50 milhões no caso brasileiro.

O raciocínio por trás desse recorte é pragmático. A automação passa a fazer sentido quando a companhia já acumula um volume grande de tarefas repetitivas e tem operações suficientes para que o investimento gere retorno.

No recorte setorial, segundo o executivo, o mercado financeiro aparece como o mais receptivo. Outros setores que começam a entrar no radar são indústria, saúde, varejo, construção e infraestrutura.

Vale ressaltar que a competição não é pequena. Somente no Brasil, startups como Pipefy, CloudWalk, Escale AI, Looqbox e mais oferecem agentes de IA para empresas.

Como tudo começou?

A primeira versão da StackAI surgiu quase como uma ferramenta doméstica, um sistema de orquestração de documentos e modelos de linguagem criado para ajudar os dois fundadores a escrever seus papers de PHD, em uma época em que soluções como ChatGPT e Gemini ainda engatinhavam.

A ferramenta se espalhou entre colegas de universidade e chamou a atenção da Y Combinator, uma das maiores aceleradoras do mundo.

Em 2023, a StackAI levantou uma rodada Series A de US$ 16 milhões, liderada pela Lobby Capital, com participação da Gradient Ventures (fundo do Google), da Life Extension Ventures e da General Catalyst.

Desde então, a empresa multiplicou por dez a receita anual e já se movimenta para uma nova rodada, uma Series B estimada entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões, que deve ser anunciada nos próximos meses.

Colega dos fundadores, Giannetti foi convidado a entrar na companhia logo após essa rodada, com uma missão bem definida: desenvolver o mercado do Texas, região onde se concentravam muitos clientes com alto faturamento e pouca estrutura de tecnologia.

Foi o interesse de um banco digital roxo que fez a StackAI ver o Brasil como opção. Conhecido por ter tecnologia no centro do negócio, a instituição recorreu à StackAI para acelerar automações internas, após encontrar a empresa em uma lista da Y Combinator.

Por que o Brasil?

A estratégia da startup é estar onde há muito trabalho operacional e pouca estrutura tecnológica. Por isso, o primeiro passo foi mirar o “miolo” dos Estados Unidos, como o Texas, região com empresas de alto faturamento, mas sem times robustos de software para criar suas próprias soluções de IA.

Na visão de Giannetti, o Brasil compartilha esse perfil. A combinação de alta demanda por automação e carência de mão de obra especializada abre espaço para oportunidades.

É uma aposta ambiciosa. O mesmo déficit de especialistas que freia a digitalização do país também pode virar gargalo na adoção de sistemas mais complexos de IA, caso as empresas não consigam organizar governança e integrações internas. Por enquanto, a Stack AI testa a temperatura para ver se entrará de vez no mercado brasileiro.

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