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Resultados mostram que, para a Ambev, a Copa ganhou da greve

A Companhia não paralisou a sua linha de produção durante o protesto dos caminhoneiros, e quando a Copa chegou foi possível escoar os produtos estocados

Garçom em São Paulo: Ambev anunciou aumento de volume, faturamento e lucros (Nacho Doce/Reuters)

Garçom em São Paulo: Ambev anunciou aumento de volume, faturamento e lucros (Nacho Doce/Reuters)

EH

EXAME Hoje

Publicado em 26 de julho de 2018 às 06h49.

Última atualização em 26 de julho de 2018 às 16h19.

A fabricante de bebidas Ambev divulgou na madrugada desta quinta-feira resultados trimestrais que não foram impactados pela greve dos caminhoneiros. Os volumes tanto de cerveja quanto de refrigerante cresceram 1,7% e 1% respectivamente, ambos acima do desempenho estimado para o setor em geral. Com isso, o EBITDA apenas das operações de cerveja no Brasil atingiu 2,061 bilhões de reais, 11,1% acima do mesmo período do ano anterior. A receita líquida cresceu 9,2%.

Tendo em vista a Copa do Mundo, período de festa em que as vendas geralmente sobem, a Ambev não paralisou a sua linha de produção durante o protesto, ao contrário do que fizeram as montadoras de veículos, por exemplo. Quando o torneio chegou e a logística voltou ao normal, a dona das marcas Brahma e Antarctica conseguiu escoar os produtos estocados, aproveitando o aumento da demanda.

A continuidade da recuperação da atividade no país, mesmo que lenta, a baixa inflação e um inverno mais quente do que a média têm ajudado a impulsionar os resultados da Ambev, na avaliação de Vitor Suzaki, analista da corretora Lerosa Investimentos. “Estamos falando de uma gigante muito eficiente que tem grande penetração”, diz Suzaki. A empresa detém cerca de dois terços do mercado local de cerveja e deve começar a aumentar preços, com vistas às férias de verão, já em agosto.

O bom desempenho no Brasil está ajudando a compensar resultados mais fracos em outros países, como na Argentina, que vem sofrendo com uma crise econômica. Mas a apreciação do dólar deve contrabalançar em parte a esperada redução das vendas na América Latina, apesar de significar maior pressão de preços de matérias-primas como o alumínio das latinhas.

Na conferência por telefone dos executivos da Ambev com investidores, programada para o começo da tarde hoje, um dos principais assuntos a serem debatidos é o aumento da competição no mercado brasileiro depois que a Heineken comprou a Brasil Kirin em fevereiro de 2017. Uma parte dos especialistas no segmento tem observado um crescimento da concorrência nos pontos de venda, especialmente depois que a cervejaria holandesa encerrou antes do prazo, no ano passado, um contrato de distribuição com a Coca-Cola para aproveitar a estrutura logística da sua nova subsidiária no país.

No ano, as ações da Ambev acumulam baixa de 13%, tendo fechado ontem a 18,90 reais, ante um avanço de 1,6% do índice Ibovespa, o principal do mercado brasileiro, no mesmo período. Até o final de junho, os papeis apresentaram queda de 18% devido ao pessimismo do mercado quanto à greve dos caminhoneiros e ao efeito da Copa. Porém, a empresa deu início a um movimento de recuperação na bolsa há quatro semanas, quando os analistas perceberam que o cenário estava melhor do que o previsto antes.

A recuperação tende a continuar nesta quinta-feira.

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