Multi-Unit Franchising Conference: evento reúne grandes nomes do franchising americano
Colunista
Publicado em 23 de março de 2026 às 14h23.
Nesta semana, embarcamos mais uma vez para Las Vegas para participar da Multi-Unit Franchising Conference. É a oitava vez que faço esse movimento com um grupo de empresários brasileiros e, se tem algo que permanece constante, é a sensação de que o Brasil ainda está apenas começando a entender o potencial real do modelo de multifranqueados. A boa notícia é que o início do movimento do mercado nesse sentido já é uma realidade.
Não me entendam mal: não é por falta de talento que as multifranquias ainda não atingiram todo seu potencial no Brasil, nem por falta de mercado. É que ainda estamos amadurecendo esse conceito por aqui.
O franchising brasileiro é, sem dúvida, um dos mais relevantes do mundo. Em 2025, o setor atingiu faturamento recorde de R$ 301,7 bilhões, com crescimento nominal de 10,5% em relação a 2024, e mais de 200 mil franquias em operação, segundo a Associação Brasileira de Franchising.
Já nos Estados Unidos, o mercado opera em outra escala. O franchising americano movimenta mais de US$ 900 bilhões por ano e reúne mais de 800 mil unidades, de acordo com a International Franchise Association.
Além disso, também chama atenção o perfil dos operadores.
Nos Estados Unidos, os maiores multifranqueados não operam cinco, dez ou vinte unidades. Eles operam centenas.
O Flynn Restaurant Group, por exemplo, fatura cerca de US$ 4,6 bilhões por ano e soma mais de 2.800 unidades de marcas como Pizza Hut, Applebee’s, Taco Bell e Wendy’s.
Outros grupos seguem a mesma lógica, como o Sun Holdings, com cerca de US$ 2 bilhões em receita e mais de 1.000 unidades; e o Dhanani Group, aproximadamente US$ 1,9 bilhão em vendas operando centenas de restaurantes
Esses números nos mostram que o franchising americano é, na prática, um jogo de escala, e escala exige método, processos bem estruturados e, portanto, amadurecimento empreendedor.
No Brasil, o movimento de multifranqueados cresce de forma consistente, mas ainda estamos distantes da realidade americana. Dados do mercado indicam que há cerca de 60 mil franqueados no Brasil, sendo menos de 1% com mais de 50 unidades.
Ao mesmo tempo, uma pesquisa da CommUnit em parceria com a Hibou Insights mostra que mais de 80% dos franqueados brasileiros pretendem abrir novas unidades — e quase metade já negocia múltiplas operações simultaneamente.
O apetite existe, então eu diria que o desafio está na execução. É aqui que entra a importância da exposição global. Participar de um evento como a Multi-Unit Franchising Conference vai além de ampliar networking ou ver tendências. É sobre repertório.
Quando um multifranqueado brasileiro senta para ouvir alguém que opera 200, 300 unidades, ele não está apenas ouvindo uma história de sucesso. Ele está sendo exposto a uma lógica diferente de gestão. Uma lógica que envolve estruturas profissionais de liderança, processos altamente padronizados, cultura orientada a indicadores e, principalmente, mentalidade de escala. Isso muda a forma de pensar o negócio.
É por isso que organizamos um dia dedicado a esses encontros para a nossa delegação. Quem viaja com a gente este ano terá acesso a um bate-papo exclusivo com Nadeem Bajwa, um dos maiores multifranqueados dos Estados Unidos, com mais de 250 operações da Papa John’s; e Gary Robins, multifranqueado americano operador de 66 unidades da Supercuts; além de Aicha Bascaro, fundadora da American Franchise Academy e uma das maiores especialistas globais em desenvolvimento de multifranqueados de alta performance.
Não é raro ver empresários brasileiros voltando com uma nova percepção de negócio: a de que não precisam necessariamente abrir mais lojas imediatamente — precisam, antes, estruturar melhor o que já têm. Porque essa estrutura bem-feita é que tornará a expansão sustentável.
Depois de acompanhar esse movimento por tantos anos, fica evidente para mim que o maior ganho está na mudança de mentalidade. Muda a forma de contratar, de liderar, de investir, de expandir…
É por isso que, mesmo depois de oito edições, essa jornada continua fazendo tanto sentido. Porque, no fim, não se trata de olhar para fora. Se trata de voltar melhor para dentro.