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O que muda no papel do CEO na era da IA, segundo os presidentes da EY e da Arco Educação

No podcast De Frente com CEO, Luiz Sérgio Vieira e Ari de Sá Neto falaram sobre suas trajetórias, expectativas com os negócios na era digital e o evento global “Empreendedor do Ano”, que já homenageou cerca de 500 empresários no Brasil

Luiz Sérgio Vieira, CEO da EY Brasil, e Ari de Sá Neto, fundador e CEO da Arco Educação (Leandro Fonseca /Exame)

Luiz Sérgio Vieira, CEO da EY Brasil, e Ari de Sá Neto, fundador e CEO da Arco Educação (Leandro Fonseca /Exame)

Publicado em 29 de dezembro de 2025 às 17h31.

Última atualização em 29 de dezembro de 2025 às 17h50.

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“O legado não são os números. O legado são os líderes que você ajudou a formar.” A frase de Luiz Sérgio Vieira, CEO da EY Brasil, sintetiza uma mudança silenciosa — e cada vez mais decisiva — no topo das organizações: na era da inteligência artificial, o CEO deixa de ser o “dono das respostas” para se tornar o guardião da direção estratégica, da cultura e das pessoas.

No podcast De Frente com CEO, da EXAME, Vieira debateu esse novo papel ao lado de Ari de Sá Neto, fundador e CEO da Arco Educação. Embora liderem negócios de naturezas diferentes — a EY, uma multinacional de serviços profissionais, e a Arco, referência em educação básica e tecnologia educacional —, os dois convergiram em um ponto: a tecnologia acelera a execução, mas não substitui aquilo que sustenta empresas no longo prazo.

A entrevista completa com Luiz Sérgio Vieira, CEO da EY Brasil, e Ari de Sá Neto, fundador e CEO da Arco Educação, ao podcast "De frente com CEO", da EXAME, você pode ver no link abaixo:

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Empreendedor do Ano: quando histórias inspiram novos negócios

A conversa entre os dois aconteceu no contexto do Empreendedor do Ano, programa global da EY que virou uma das principais vitrines do empreendedorismo brasileiro. Criada nos Estados Unidos em 1986 e realizada no Brasil desde 1998, a iniciativa chega à 28ª edição no país e, segundo Vieira, já homenageou cerca de 480 empreendedores desde a chegada ao Brasil.

Para o CEO da EY, o prêmio nasce de um propósito institucional: “ajudar a construir um mundo de negócios melhor”. E, nesse desenho, o empreendedor ocupa papel central.

“Quando a gente pensa nos pilares desse mundo melhor de negócios, a gente vê o empreendedorismo como uma grande força transformadora da nossa sociedade”, afirma.

O programa, segundo Vieira, visa celebrar empreendedores que inspiram e transformam, e, ao ajudar a contar essas histórias, a empresa visa inspirar outros e fortalecer o ecossistema.

Como vencedor da categoria Master em 2025, o fundador e CEO da Arco Educação, disse que o valor do prêmio está também no ambiente de troca entre líderes.

“O prêmio é muito maior do que a solenidade em si. Você tem uma plataforma e encontros com outros empreendedores”, afirma.

Para ele, isso faz diferença porque a vida do empreendedor é uma vida muitas vezes solitária — e a rede criada pelo programa ajuda a reduzir esse isolamento com repertório e conexões.

Com a vitória, Ari será o representante do Brasil na etapa global, em Mônaco, ao lado de empreendedores de cerca de 60 países. Ele diz que quer levar uma mensagem de resiliência do empreendedor brasileiro.

“Apesar de todas as adversidades que a gente tem no nosso país, se você tiver resiliência, criatividade e força de trabalho, você consegue construir coisas relevantes”.

Vieira reforça a leitura de que o Brasil tem potencial para ir além das fronteiras. “Às vezes, o empreendedor brasileiro fica muito focado só no mercado brasileiro. Nós temos muita qualidade para exportar esse empreendedorismo também para o exterior”, afirma.

Na era digital: liderança sem controle total

A assimetria de conhecimento dentro das empresas tornou obsoleto o modelo tradicional de comando e controle, segundo Vieira. Em áreas como inteligência artificial, jovens profissionais podem dominar ferramentas e conceitos com mais profundidade do que executivos com décadas de carreira.

“Hoje você aprende com um trainee que acabou de entrar na organização e que, às vezes, sabe muito mais de IA do que você”, diz Vieira. “O modelo de controle e comando não funciona mais”, diz.

Nesse contexto, a liderança passa a exigir humildade intelectual, escuta ativa e capacidade de aprendizado contínuo.

“Você está desatualizado todos os dias”, diz o executivo, ao defender que ouvir pessoas, clientes e o mercado virou uma competência estratégica — não um gesto de gentileza.

IA como alavanca — e não como fim

Na Arco Educação, a inteligência artificial aparece como um divisor de águas para o produto. Segundo Ari de Sá Neto, a tecnologia abre, pela primeira vez, a possibilidade de personalizar o ensino em escala.

“A IA traz uma oportunidade real de entregar um ensino personalizado para cada aluno”, afirma. “A gente caminha para construir um tutor personalizado, que respeite o ritmo, a dificuldade e o interesse de cada estudante.”

Mas o fundador da Arco faz um alerta semelhante ao de Vieira: IA não substitui visão nem cultura. Cabe ao CEO decidir como — e para quê — a tecnologia será usada.

“O CEO precisa reaprender a forma como faz as coisas à medida que a empresa cresce”, diz Ari. “Isso exige humildade para ouvir, receber crítica dura e transformar isso em evolução.”

O novo legado do CEO

Em um mundo volátil, marcado por IA, crise climática e transformações sociais, o impacto de um CEO vai muito além dos números de curto prazo, afirma o CEO da EY.

“Líder tem que gostar de gente, cuidar de pessoas e criar um ambiente seguro,” afirma Vieira. 

Ari complementa com uma visão pragmática de longo prazo:

“Se não estiver ofendendo nossos valores e existir uma forma melhor de fazer, a gente precisa ter desapego para mudar”, diz. “A capacidade de adaptação é determinante para continuar a jornada.”

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