Não dá para esperar até 2050, diz diretor da Suzano sobre emissões de CO2

Em entrevista à EXAME, Luis Bueno, Diretor Executivo de Bens de Consumo da Suzano, disse que é necessário ações mais robustas no curto prazo
Suzano: Segundo o executivo, em relação ao desmatamento ilegal, é preciso uma curva no curto mais robusta para redução até 2030 (Youtube/Exame)
Suzano: Segundo o executivo, em relação ao desmatamento ilegal, é preciso uma curva no curto mais robusta para redução até 2030 (Youtube/Exame)
André Martins
André Martins

Publicado em 07/11/2021 às 11:51.

Última atualização em 09/11/2021 às 10:19.

Um dos primeiros anúncios do governo brasileiro durante a COP26 foi a redução de 50% nas emissões de carbono até 2030 e a neutralidade até 2050. Sobre o tema, Luis Bueno, Diretor Executivo de Bens de Consumo da Suzano, disse que "não dá para esperar até 2050" e que é preciso ações mais robustas no curto prazo.

"Precisamos de ações mais robustas para que tenhamos uma evolução rápida dessa redução de carbono. Tem muito tempo até 2050. Tão importante quanto uma meta de 2050, é a curva de como você vai chegar até lá. Precisamos mostrar uma curva com ambições de curto prazo robustas", disse Bueno.

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A Suzano tem suas próprias metas ligadas ao ESG. Poucos dias antes da abertura oficial da COP26, a Suzano afirmou que vai antecipar de 2030 para 2025 a sua meta de remover 40 milhões de toneladas de CO2 da atmosfera. Fora o sequestro, a fabricante também já havia se comprometido a reduzir em 15% suas emissões de CO2 dos escopos 1 e 2 e aumentar em 50% a exportação de energias renováveis até o final da década.

Segundo o executivo, em relação ao desmatamento ilegal, é preciso uma curva no curto mais robusta para redução até 2030. "Isso vai gerar muito credibilidade para o Brasil negociar com outros países. Porque vamos mostrar que o ponto mais criticado em relação ao desmatamento, vamos mostrar que tem um plano para reduzir isso ao curto prazo", explicou. O Brasil é um dos mais de 100 países que se comprometeram a zerar o desmatamento ilegal até 2030. 

Sobre as ambições da Suzano, Bueno contou que a empresa lançou um programa com foco na COP26 chamado de "2050 agora" para divulgar as ações da companhia e os principais avanços governamentais na conferência. "O tema da sustentabilidade e o impacto climalítico no planeta tomou uma tal estatura que eu vejo não é mais se vamos fazer alguma coisa. É mais como e o qual rápido vamos fazer. É um caminho sem volta".

Assista ao vídeo completo.

EXAME na COP

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC) é um tratado internacional com o objetivo de estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera.

Uma das principais tarefas da COP é revisar as comunicações nacionais e os inventários de emissões apresentados por todos os países-membros e, com base nessas informações, avaliar os progressos feitos e as medidas a ser tomadas.

Para além disto, líderes empresariais, sociedade civil e mais, se unem para discutir suas participações no tema. Neste cenário, a EXAME atua como parceira oficial da Rede Brasil do Pacto Global, da Organização das Nações Unidas.

Leia a cobertura completa da EXAME sobre a COP26