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Plataforma com IA quer ajudar PMEs a contratar melhor e gastar menos tempo

Criada pelo Grupo Hub, Hubble nasce de uma ferramenta interna de recrutamento, usa inteligência artificial para organizar vagas e currículos e mira R$ 1 milhão em faturamento no primeiro ano

Victor Fazzio e Rafael Souza, do Hubble: plataforma com IA e com lado humano para ajudar no recrutamento (Divulgação/Divulgação)

Victor Fazzio e Rafael Souza, do Hubble: plataforma com IA e com lado humano para ajudar no recrutamento (Divulgação/Divulgação)

Leo Branco
Leo Branco

Editor de Negócios e Carreira

Publicado em 18 de maio de 2026 às 17h01.

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O recrutamento de pessoas vive uma fase em que planilhas, caixas de e-mail e sistemas de triagem disputam espaço com ferramentas de inteligência artificial. Para empresas pequenas e médias, a dor costuma aparecer antes da contratação: faltam processo, tempo e gente para organizar currículos, conversar com candidatos e mostrar aos gestores onde a vaga travou.

É nesse mercado que o Grupo Hub, consultoria de recrutamento e seleção fundada em 2014, está criando uma nova empresa. O Hubble nasce como uma startup separada do grupo, com tecnologia de inteligência artificial para ajudar empresas a organizar vagas, analisar candidatos e reduzir tarefas manuais no processo de contratação.

A nova empresa chega ao mercado depois de três anos de desenvolvimento interno. A plataforma começou como uma ferramenta usada pelos próprios recrutadores do Grupo Hub, que hoje tem cerca de 130 pessoas. Agora, passa a ser vendida para outras companhias, com foco inicial em pequenas e médias empresas. O investimento no Hubble é de 2 milhões de reais.

“A gente nunca conseguiu achar uma plataforma que nos atendesse, de fato, de ponta a ponta”, afirma Victor Fazzio, sócio sênior do Grupo Hub. “Em um dado momento, a gente resolveu desenvolver isso internamente.”

O plano para o primeiro ano é chegar a 50 ou 100 clientes e faturar cerca de 1 milhão de reais com o Hubble. A plataforma começa com 10 clientes em fase de teste e deve ser aberta para novos usuários nas próximas semanas. O Grupo Hub também prepara uma possível rodada seed, uma captação inicial de dinheiro para startups, no segundo semestre.

Como nasceu o Hubble

A origem do Hubble está em uma dor antiga do Grupo Hub. A consultoria testou sistemas brasileiros e estrangeiros de recrutamento, mas, segundo os sócios, não encontrou uma ferramenta que cobrisse todo o processo da forma como a empresa precisava.

O trabalho, na visão do grupo, parecia simples: colocar candidatos em um funil de vagas, registrar entrevistas, atualizar etapas, acompanhar números e mostrar ao cliente onde cada processo estava. Na prática, parte dessas tarefas continuava fora dos sistemas, em planilhas ou controles paralelos.

Há cerca de três anos, o grupo decidiu criar uma plataforma interna. O sistema se chamou LAABS. Depois, passou a ser chamado de Hubbs. Com o avanço do projeto e a decisão de levar o produto ao mercado, o nome mudou para Hubble.

A mudança de nome também marca a separação entre a consultoria e a nova empresa. O Hubble passa a ter uma sociedade própria, com Victor Fazzio e Rafael Souza à frente da operação. Fazzio, sócio sênior do Grupo Hub e CEO do Hubble, participou da criação da ferramenta interna que deu origem à startup.

Rafael chegou ao projeto em 2026 como CTO, sigla em inglês para diretor de tecnologia. Antes, trabalhou por 15 anos no mercado financeiro e em tecnologia, com passagens por B3 e XP. Segundo ele, a experiência de contratar pessoas em diferentes níveis ajudou a moldar o produto.

“Uma das grandes dores que eu tinha era contratar pessoas de todos os níveis”, afirma Rafael Souza. “Quando eu conversei com o Fred sobre uma dor que eu tinha, a gente teve essa energia de evoluir uma plataforma de recrutamento que fosse muito inteligente.”

O que o Hubble faz

O Hubble é uma plataforma de recrutamento vendida no modelo SaaS, sigla em inglês para software por assinatura. Na prática, a empresa paga para usar o sistema pela internet, sem precisar instalar uma ferramenta própria.

A plataforma organiza vagas, candidatos e etapas do processo seletivo. Também usa inteligência artificial para analisar dados, cruzar informações de currículos com requisitos da vaga e indicar pontos de atenção no funil de contratação.

Uma das funções citadas pelos sócios é a redução de tarefas manuais. Antes, um recrutador precisava puxar currículos do LinkedIn, copiar informações, preencher campos em planilhas e atualizar controles. Com o Hubble, segundo a empresa, parte desse trabalho passa a ser feita com um clique.

A estimativa dos sócios é que o uso da plataforma reduza de 40% a 60% da carga operacional do recrutador. A ideia é que o profissional gaste menos tempo com cadastro, planilha e organização de dados, e mais tempo com entrevistas, contato com gestores e análise dos candidatos.

“Antes era muita coisa manual: puxar currículo do LinkedIn, colocar o currículo, as informações no sistema”, afirma Fazzio. “Hoje, em um clique, você tem todas as informações e consegue otimizar o seu dia a dia.”

A inteligência artificial não toma a decisão final sobre quem deve ser contratado. Ela organiza informações, mostra padrões e sugere caminhos. A decisão segue com o recrutador ou com a empresa contratante.

Para Rafael, esse ponto é central no desenho do produto. “Não é só a gente criar algoritmos de machine learning. É de fato implementar inteligência e criar processos que ajudem o recrutador a achar a melhor pessoa”, afirma.

O diferencial entre tecnologia e recrutador

O Hubble entra em um mercado já ocupado por sistemas de recrutamento. A aposta dos sócios é juntar o software com a experiência do Grupo Hub em seleção de pessoas.

Na prática, a plataforma pode ser usada sozinha pela empresa cliente. Mas, se uma vaga ficar parada ou se o time interno não conseguir tocar o processo, o Hubble poderá acionar recrutadores do próprio Grupo Hub para ajudar em uma parte da seleção.

Esse modelo tenta resolver uma dor comum em empresas que compram sistemas, mas não têm gente suficiente para operar as ferramentas. O cliente paga pelo software, mas pode contar com apoio humano quando a demanda passa do limite do time.

“Vem uma plataforma tecnológica com IA, mas o lado humano para ajudar ali, de fato, no processo”, afirma Fazzio.

Rafael diz que a tecnologia ajuda a organizar dados, mas não cobre todos os pontos de uma contratação. Há fatores que dependem de conversa, contexto e leitura do candidato. Ele cita exemplos como faixa salarial, experiência, vontade de mudar de cidade e encaixe com a rotina da empresa.

“O sistema não vai ter o feeling de achar a melhor pessoa, às vezes por uma competência, às vezes por uma experiência, por uma faixa salarial, uma vontade muitas vezes de mudar de cidade”, afirma Rafael.

O termo feeling, usado pelos sócios, aparece aqui como a leitura prática do recrutador sobre fatores que não ficam claros apenas em um currículo. É essa combinação que os fundadores tentam vender ao mercado: uma plataforma com IA para organizar e analisar dados, mas com recrutadores disponíveis para destravar etapas do processo.

Quem deve usar a plataforma

O foco inicial do Hubble está nas pequenas e médias empresas. São negócios que contratam com frequência, mas muitas vezes ainda usam planilhas para controlar vagas, candidatos e etapas.

Segundo os sócios, há empresas com 40 ou 50 contratações por mês sem um sistema próprio para organizar o processo. Para esse público, o Hubble terá um plano de entrada em torno de 300 reais por mês.

O segundo plano mira empresas médias, com mais vagas abertas e mais necessidade de apoio da inteligência artificial. Nesse caso, a plataforma ajuda a analisar competências, montar o funil de candidatos e apontar gargalos no processo.

O terceiro modelo é voltado a grandes empresas. A cobrança será definida caso a caso, conforme o volume de vagas e o tipo de uso. Esse plano pode incluir serviços do Grupo Hub junto com a tecnologia do Hubble.

Também haverá a opção de white label, modelo em que uma empresa usa a tecnologia com sua própria marca. Nesse caso, a cobrança fica fora dos planos mensais comuns e passa a ser tratada como serviço de tecnologia.

“Você pode comprar online e também pode contratar uma consultoria mais especializada”, afirma Rafael. “Se uma empresa deseja utilizar a nossa plataforma como white label, a gente também consegue disponibilizar.”

Os setores no radar

O Hubble começa olhando para três setores: tecnologia, mercado financeiro e mineração.

A ligação com tecnologia vem da própria história do Grupo Hub, que já atua em vagas desse mercado. Segundo os sócios, a plataforma pode ajudar recrutadores a cruzar informações técnicas com dados de perfil e cultura da empresa.

No mercado financeiro, a demanda citada está nas posições de base, como agentes e cargos de entrada. São vagas com volume maior e processos que exigem controle de candidatos em várias etapas.

A mineração apareceu como um setor com procura relevante. Os sócios dizem que as empresas desse mercado têm muitas vagas de base, tanto em campo quanto em áreas administrativas de entrada. Para esse tipo de contratação, a dor está no volume de candidatos e na necessidade de acompanhar vários processos ao mesmo tempo.

“Mineração tem muita posição de base, muita posição de entrada”, afirma Fazzio. “Então eles têm muita posição nessa camada e precisam de um produto que atenda essa demanda e esse controle.”

A história do Grupo Hub

O Grupo Hub foi fundado em 2014 e atua com recrutamento, seleção, desenvolvimento e tecnologia para gestão de pessoas. A empresa tem operação no Brasil e nos Estados Unidos.

Em 2025, o grupo faturou R$ 27 milhões, alta de 33% sobre o ano anterior. Para 2026, a expectativa é crescer 45%, com impulso da operação internacional e do lançamento do Hubble.

A expansão para os Estados Unidos começou em 2025, com a ida de Fernando Guedes, sócio sênior do grupo, para liderar a frente internacional. Rafael Souza entrou como CTO do Hubble, e a nova startup passou a ter uma estrutura separada dentro do grupo.

O grupo diz já ter atendido mais de 400 empresas, entrevistado 282.000 candidatos e trabalhado em quase 9.000 posições. Entre os clientes citados pela empresa estão Natura, Itaú, iFood e Stellantis.

A criação do Hubble fecha um ciclo de mudança na estrutura do Grupo Hub. O que começou como ferramenta interna passa a ser um produto vendido no mercado. Para a consultoria, o novo negócio também abre uma frente de receita diferente da busca tradicional por executivos e profissionais.

Quanto o Hubble pode faturar

A meta do Hubble para o primeiro ano é faturar cerca de 1 milhão de reais. O valor deve vir das assinaturas, dos projetos com empresas maiores e de contratos de tecnologia no modelo white label.

A empresa trabalha com um alvo inicial de 50 a 100 clientes. Segundo os sócios, esse número serviria para validar a demanda pelo produto e mostrar se o modelo tem tração fora do Grupo Hub.

O Hubble começa com 10 clientes em fase de teste. Nas próximas semanas, a plataforma deve ser aberta para novos usuários. A startup também se prepara para uma possível rodada seed no segundo semestre de 2026 e para conversas com investidores durante o Web Summit, no Rio de Janeiro, em junho.

No Grupo Hub, a nova empresa entra como uma das apostas para sustentar o crescimento de 2026. A previsão de alta de 45% no faturamento considera a operação internacional e o lançamento do Hubble.

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