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A EXAME na COP26

Acompanhe a cobertura da Conferência do Clima da ONU direto de Glasgow, na Escócia

A partir do dia 1o de novembro, acontece a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP26, em Glasgow, na Escócia. A expectativa é alta. Seis anos após a assinatura do Acordo de Paris, o mundo se reúne para, enfim, chegar a um consenso sobre os últimos detalhes do pacto climático, em especial o Artigo 6, que regula o mercado de carbono global.

Há muita coisa em jogo. Para o Brasil, um mercado global de carbono é a oportunidade de monetizar ativos florestais, como a Amazônia, maior floresta tropical do mundo -- para isso, no entanto, é preciso acabar com o desmatamento. Para as empresas, a COP26 promete acelerar a transição para a economia de baixo carbono, que vai modificar profundamente o modo de produção de todos os setores.

A EXAME preparou uma cobertura especial da COP26. Uma equipe de jornalistas estará em Glasgow durante toda a duração do evento, produzindo notícias, vídeos, podcasts e entrevistas exclusivas, que você pode acompanhar por aqui e pelas redes sociais da EXAME. Você também pode se cadastrar para receber informações diretamente no seu e-mail e ficar por dentro do evento mais importante do ano.

O que é a COP26?

COP26 é a abreviatura para 26ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) ou, simplesmente, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021.

A COP, em si, é a sigla para Conference of Parties (Conferência das Partes, em português) e trata-se de um encontro anual para monitorar e revisar a implementação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Esse tratado foi assinado por 197 países, chamados de Partes, com o objetivo de reduzir o impacto da atividade humana no clima. Esta é a 26ª edição, por isso o nome COP26.

Qual é a importância da COP26?

A COP26 será determinante para os rumos do planeta. Para compreender o motivo, é preciso olhar para trás, para outra COP de Paris (França), a de número 21, que aconteceu em 2015.

Na conferência daquele ano, pela primeira vez todos os países concordaram em trabalhar juntos para conter o aquecimento global. Nasceu aí o Acordo de Paris, que tem como grande objetivo limitar o aumento da temperatura do planeta a 1,5ºC até 2050.

Os países se comprometeram a apresentar planos nacionais definindo o quanto eles reduzirão as suas emissões de gases de efeito estufa (GEE), que foram chamados de Contribuição Nacionalmente Determinada, NDC na sigla em inglês.

Ficou acordado que voltariam a cada cinco anos com um planejamento atualizado. E é na COP26 que os governos terão a primeira oportunidade de comunicar ou atualizar os seus compromissos, que, até agora não chegam nem perto da meta de 1,5º C (no cenário atual, teríamos um aquecimento de mais de 3º C, segundo o World Resources Institute).

O que será discutido na COP26?

De acordo com a organização da COP26, são quatro as principais frentes de debate:

1. Mitigação

Quais são as metas de redução de emissões de GEE dos países para 2030.

2. Adaptação

Que medidas podem ser adotadas para adaptar e proteger, com urgência, as comunidades e os ecossistemas afetados pelas mudanças do clima.

3. Finanças

De que forma viabilizar o financiamento necessário para garantir emissões globais zero

4. Colaboração

Como acelerar a cooperação entre governos, empresas e a sociedade civil para enfrentar a crise climática e finalizar as regras do Acordo de Paris a fim de torná-lo operacional.


Tudo sobre a COP26 em Live especial

No dia 19 de outubro, às 12h, você tem um encontro marcado com especialistas da EXAME sobre "Os impactos da COP26 que podem mudar as políticas ambientais do mundo": em um papo ao vivo e 100% gratuito.

Inscreva-se na Live sobre COP26 e traga suas dúvidas!

Empresas se beneficiam do Artigo 6

Artigo 6: como empresas se beneficiam da regulamentação

ESG

A regulamentação do Acordo de Paris, proposto em 2015, e em especial do artigo 6º com a intenção de que o aquecimento global se mantenha abaixo de 2˚C em relação aos níveis pré-industriais, e com esforços para limitar o aumento da temperatura média em 1,5˚C, estão em destaque na Conferência das Partes, a COP26, que ocorrerá em Glasgow na Escócia na primeira quinzena de novembro.

Para além das decisões governamentais, que envolvem compromissos e regulações de 193 países, visando trabalhar em prol de um bem em comum e definir suas Contribuições Pretendidas Nacionalmente Determinadas (iNDCs), as empresas também podem se beneficiar dos ajustes. Isto porque as definições devem favorecer a geração de inovação em busca de soluções mais sustentáveis, e até mesmo de zerar o balanço de suas emissões de gases causadores do efeito estufa.

A regulamentação do artigo 6ª ainda deve incentivar as empresas a buscarem projetos específicos com menos barreiras comerciais do que as atuais. “Abre-se uma oportunidade de negócios: a criação de projetos para compensação das emissões”, diz a pesquisadora Talita Assis, do portal A Amazônia em EXAME. Com isto, a criação do mercado global de carbono pode trazer recursos para o país, gerando empregos e renda e contribuindo para o combate às mudanças climáticas. Leia mais sobre o Artigo 6 do Acordo de Paris.

Artigo 6: o que está em jogo

Artigo 6º do Acordo de Paris: o que está em jogo para futuro da humanidade

Amazônia: dono da maior biodiversidade do planeta, o Brasil só tem a ganhar com a sustentabilidade

Seis anos após a divulgação do Acordo de Paris, que rege medidas de redução de emissão de gases estufa, há dúvidas sobre as ações práticas e a regulamentação de artigos importantes, como é o caso do sexto, um dos temas centrais da Conferência das Partes, a COP26, que ocorrerá em Glasgow na Escócia na primeira quinzena de novembro.

A falta de regulamentação até o momento se dá, sobretudo, pela complexidade técnica de garantir a redução das emissões de forma efetiva, com a intenção de que o aquecimento global se mantenha abaixo de 2˚C em relação aos níveis pré-industriais, e com esforços para limitar o aumento da temperatura média em 1,5˚C.

“As metas preveem ações até 2050 para frear o avanço do aquecimento global até 2100. Para isto, cada país definiu suas Contribuições Pretendidas Nacionalmente Determinadas (iNDCs), mas não houve a revisão ou acompanhamento nestes últimos anos, o que reforça e importância das determinações agora”, diz a pesquisadora Talita Assis, do portal A Amazônia em EXAME.

Na prática, se espera uma cooperação entre os países, de forma a fortalecer o uso de energias renováveis, e permitir que créditos de carbono sejam vendidos e comprados uns dos outros. O desafio, neste caso, é definir a contagem dos créditos por meio de ajustes correspondentes.

“A energia renovável produzida no Brasil tem menor impacto ambiental do que uma energia de geração fóssil em outro país, por exemplo. Como se converge laranja com banana? Este entendimento é importante para que as legislações comecem a funcionar e as metas sejam alcançadas”, diz Henrique Pereira, cofundador da WayCarbon. Entenda tudo que está em jogo no Artigo 6.

Juliane Reinecke: somos vulneráveis

Somos vulneráveis às mudanças climáticas, diz Reinecke, do King’s College

Na primeira quinzena de novembro, líderes globais se reunirão em Glasgow, na Escócia, para a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, também conhecida como COP26. A reunião, que debaterá a mudança climática e definirá acordos entre países empresas para combater ameaças ao planeta, já vem sendo previamente abordada por entidades. Um exemplo é o webinar promovido pela Aberje na última semana, com Juliane Reinecke, professora de gestão internacional e sustentabilidade na Escola de Negócios do King’s College de Londres; Kat Thorne, diretora de sustentabilidade do King’s College de Londres e Cristiano Teixeira, diretor geral da Klabin.

Na ocasião, muito se falou de inclusão. "Os negociadores da COP26 terão um grande desafio para chegar a algum acordo. Nós sabemos onde queremos chegar, mas como fazer isso é o xis da questão, e como alcançar esses objetivos de forma justa e inclusiva", disse Juliane Reinecke, acrescentando que a proteção ao meio ambiente que temos hoje "não é suficiente", considerando a extensão e a complexidade da questão climática.

Falou-se também do conceito de vulnerabilidade nos países. "Divulgou-se recentemente que a Suécia, a França, a Finlândia, a Alemanha e os EUA estariam no ranking dos menos afetados pelas mudanças climáticas, e os que correriam mais riscos seriam Nigéria, Bangladesh, Costa do Marfim, Tanzânia e Tunísia. Mas todos os países são vulneráveis, e serão afetados pelo aquecimento global. O Fórum Econômico Mundial estimou que, até 2050, 80% da população global será atingida pelas mudanças climáticas. Ou seja, todos nós somos vulneráveis", afirma Reinecke.

São Paulo busca o dinheiro verde

Prefeitura da capital paulista levará comitiva para Glasgow. Plano é vender iniciativas como eletrificação da frota de ônibus e a preservação da Mata Atlântica

Na COP26, São Paulo quer abandonar a poluição e buscar o dinheiro verde

Marta Suplicy

Marta Suplicy (Divulgação/Facebook/Marta Suplicy/Divulgação)

Não parece, mas a cidade de São Paulo, megalópole de concreto, tem 40% de cobertura verde. É o que afirma a secretária de Relações Internacionais do município, Marta Suplicy. Muito dessa cobertura se deve à preservação de uma área de 25 mil hectares de Mata Atlântica, o equivalente a um sexto do território paulistano, no subdistrito de Parelheiros, na zona sul. “Não somos uma cidade cinza”, afirma Suplicy, que ocupou o cargo de prefeita entre 2001 e 2005.

Reverter a imagem de selva de pedra é parte de um plano da prefeitura da capital paulista de abraçar a economia verde. “O futuro das cidades está aí”, afirma a secretária. “E há dinheiro a ser buscado lá fora”. Leia tudo sobre São Paulo e a COP26.

COP26: uma chance para a Amazônia

Cientista à frente do projeto A Amazônia em EXAME afirma que o aumento no desmatamento é assustador, e que é preciso um olhar holístico sobre a questão econômica

Talita Assis, da EXAME: COP26 é oportunidade para desenvolver a Amazônia

A pesquisadora Talita Assis: "A COP26 trará oportunidades para encontrar um caminho de desenvolvimento sustentável da Amazônia"

A pesquisadora Talita Assis: "A COP26 trará oportunidades para encontrar um caminho de desenvolvimento sustentável da Amazônia" (Exame/Divulgação)

A pesquisadora Talita Assis chegou na Amazônia quase por acaso. Formada em ciência da computação pela Universidade Federal de Itajubá, ela acabou fazendo mestrado no Instituto Nacional de Ciências Espaciais (INPE) e teve a oportunidade de trabalhar com o cientista Carlos Nobre, um dos maiores especialistas do mundo em mudanças climáticas. No INPE, também se tornou doutora em Ciência do Sistema Terrestre.

Seu talento para a lógica da computação se tornou um diferencial no estudo da ação humana sobre a floresta. “Não sei se você já teve a oportunidade de ficar olhando para um mapa de desmatamento”, pergunta a cientista à reportagem da EXAME. A imagem que vem à cabeça é a da enxadrista Elizabeth “Beth” Harmon, personagem da série O Gambito da Rainha, do Netflix, que enxergava as jogadas ao encarar um tabuleiro imaginário no teto de seu orfanato.

Ao sistematizar o caos que se tornou a ocupação da maior floresta tropical do mundo, Assis percebe a complexidade de se resolver os problemas da região. “Não acredito em soluções simplistas”, afirma. “A Amazônia abriga realidades muito distintas”.

O aumento recente no desmatamento assusta. Ao mesmo tempo, a pesquisadora enxerga uma oportunidade no momento em que o mundo se prepara para discutir a regulação do mercado de carbono na COP26, Conferência do Clima da ONU, a ser realizada na Escócia, em novembro. A regulação do Artigo 6 do Acordo de Paris, principal tema do encontro, irá permitir a colaboração entre países e com a iniciativa privada nos esforços de reduzir as emissões globais. É a chance de se pensar em novos modelos de desenvolvimento. Acompanhe a entrevista completa com Talita Assis..

A juventude na COP26

Jovens brasileiros de até 29 anos participarão da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP26 com a intenção de engajar lideranças mundiais, promover comunicação atraente para outros jovens e inspirar mudanças

 

O que querem os jovens brasileiros na Conferência do Clima, a COP26

Engajamundo: jovens ativistas em prol da sustentabilidade

Engajamundo: jovens ativistas em prol da sustentabilidade (Engajamundo/Divulgação)

A juventude interessada nas mudanças climáticas e ambientais vai muito além da ativista Greta Thunberg. No Brasil, um grupo de 300 jovens de 15 a 29, que formam a Organização Não Governamental (ONG) Engajamundo, é exemplo disto e está pronto para mostrar sua força na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP26, que acontece em Glasgow, na Escócia, na primeira metade de novembro e reúne lideranças globais. Leia mais sobre os jovens brasileiros na COP26.

Cosan investe em fundo ESG

Empresa investe no Fifth Wall, criado por Brendan Wallace e focado em construtechs, que conta com 70 investidores, entre eles a rede de hotéis Marriott e a incorporadora British Land

Cosan se une ao cofundador da Cabify em fundo ESG de R$ 2,7 bilhões

brendan wallace cabify

Em outros tempos, seria um casamento estranho. Mas, em tempos de descarbonização, a associação entre a brasileira Cosan, de energia, e o fundo americano Fifth Wall Climate Tech Fund, focado no setor de construção, não apenas acontece, como parece a coisa mais natural do mundo. A Cosan anunciou nesta quarta-feira, 6, que fará um investimento de valor não revelado no fundo, que pretende levantar 500 milhões de dólares (cerca de 2,7 bilhões de reais) e, até o momento, arrecadou 140 milhões de dólares (770 milhões de reais). O objetivo: jogar o jogo global da transição para a economia de baixo carbono. Veja mais sobre o a união da Cosan com o Cabify.

PwC no SBTi

A gigante de auditoria, que acaba de validar seu plano net zero no SBTi, alerta que todas as empresas terão de reduzir suas pegadas de carbono de alguma maneira

Não existe planeta suficiente para compensar todas as emissões, diz PwC

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(Marcin Jozwiak/Unsplash)

É aquela velha história, no final, tudo se ajeita. É essa mentalidade com que muitas companhias abordam a questão das emissões de gases de efeito estufa. A solução pode parecer simples, afinal, basta compensar o carbono emitido e está tudo bem. Não é bem assim. “Vamos precisar de dois planetas para isso”, afirma Leandro Ardito, líder de net zero da PwC, uma das maiores empresas de auditoria do mundo. Leia mais sobre as emissões de carbono e a PwC.

CEOs brasileiros na COP26

As empresas se engajam na agenda “net zero” e esperam voltar da conferência com o mercado de carbono regulado

O que os CEOs brasileiros esperam da COP26

Christiano Teixeira, CEO da Klabin

Christiano Teixeira, CEO da Klabin (Germano Lüders/Exame)

O CEO da Klabin, Cristiano Teixeira, tem algo a dizer aos empresários. Ele acredita que o aquecimento global é maior do que se imagina e, para contê-lo, será necessário um esforço global de descarbonização da economia. Isso passa pelas empresas. “Precisamos chamar o máximo possível de empresas para o ‘net zero’”, diz Teixeira. E ele não se contenta com promessas vazias, quer compromissos assinados.

Teixeira foi eleito pela presidência da COP26, conferência do clima da ONU que acontece em novembro, na Escócia, como um dos seus 10 embaixadores empresariais no mundo. Seu trabalho é agregar o empresariado brasileiro em torno do tema economia de baixo carbono. O presidente da COP26, Alok Sharma, quando veio ao Brasil há duas semanas, ficou satisfeito com os resultados apresentados. Confira quem são os CEOs brasileiros que são destaques à COP26.

Empresas querem protagonismo

Bradesco, Braskem, Embraer, Energisa, JBS, Klabin, Marfrig, Natura, Suzano, Votorantim e outras 95 empresas assinam carta pedindo metas mais ambiciosas

Empresas aumentam pressão por protagonismo ambiental do Brasil na COP26

Florestas; natureza, meio ambiente; árvores

A COP26, Conferência do Clima da ONU, começa daqui a pouco mais de um mês. Mas a agenda das empresas para o principal evento climático do mundo, que este ano será realizado em Glasgow, na Escócia, está a pleno vapor.

Nesta segunda-feira, 27, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), divulgou a lista de 105 empresas que assinam uma carta cobrando do governo uma postura mais ambiciosa para o clima.

Entre as signatárias estão Bradesco, Braskem, Embraer, Energisa, JBS, Klabin, Marfrig, Natura, Suzano e Votorantim (veja a lista ao final da matéria). Elas pedem que o Brasil recupere o protagonismo na agenda ambiental, que foi perdido pela decisão de não participar da COP25, realizada em Madri antes da pandemia. O governo, na ocasião, sequer mandou uma comitiva oficial, contando apenas com o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales. Leia mais sobre a pressão sobre o Brasil para a COP26.