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Gupy investe na Bondy e quer levar processos de RH para conversas no WhatsApp

Com aporte de R$ 2,5 milhões, HRtech compra fatia da startup para usar IA agêntica em seleção, treinamento e atendimento a funcionários em grandes empresas

Kleber Piedade (Bondy) e Mariana Dias (Gupy): operações separadas, mas cada vez mais clientes em comum

Kleber Piedade (Bondy) e Mariana Dias (Gupy): operações separadas, mas cada vez mais clientes em comum

Leo Branco
Leo Branco

Editor de Negócios e Carreira

Publicado em 7 de julho de 2026 às 11h13.

Última atualização em 7 de julho de 2026 às 11h15.

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A Gupy anuncia nesta terça-feira, 7, um investimento estratégico de R$ 2,5 milhões na Bondy, startup que desenvolve agentes de inteligência artificial para automatizar conversas entre empresas, candidatos e funcionários em canais como WhatsApp, Slack, Teams e Google Chat.

A operação não é uma aquisição. A Gupy passa a ter uma participação na empresa, enquanto a Bondy continua independente e mantém sua estrutura e sua carteira de clientes.

O investimento acontece em um momento em que a inteligência artificial já entrou no recrutamento de profissionais e começa a avançar para outras etapas da gestão de pessoas. A disputa entre as empresas de tecnologia para RH passa agora por automatizar desde processos seletivos até treinamentos, atendimento aos funcionários e rotinas do departamento de pessoal.

A parceria marca uma nova etapa para as duas empresas. A Gupy quer aprofundar o uso de inteligência artificial em sua plataforma de gestão de pessoas e oferecer jornadas mais adaptadas à realidade de cada cliente. A Bondy passa a integrar sua tecnologia a uma base que reúne cerca de 4.000 empresas clientes e 40 milhões de candidatos cadastrados na plataforma da Gupy.

"A gente está entrando numa nova era. Dez anos atrás, ajudamos as empresas a digitalizar o recrutamento. Agora queremos liderar essa transformação em que a inteligência artificial entrega mais resultado para as empresas e uma experiência muito personalizada para candidatos e colaboradores", afirma Mariana Dias, cofundadora e CEO da Gupy.

Os primeiros projetos em conjunto já estão em funcionamento. Em vez de esperar o desenvolvimento de uma integração após o investimento, as empresas decidiram começar pelos clientes que utilizavam as duas soluções.

A Gupy foi fundada em 2015 por Mariana Dias, Bruna Guimarães, Guilherme Dias e Robson Ventura. Mariana e Bruna haviam trabalhado na gigante de bebidas Ambev e identificaram problemas comuns nos processos de contratação de grandes empresas.

A proposta inicial era automatizar a triagem de currículos e organizar processos seletivos. Com o tempo, a empresa ampliou a atuação para treinamento, admissão e avaliação de desempenho, movimento acelerado por uma sequência de aquisições nos últimos anos. Com o modelo de negócios, a empresa captou R$ 500 milhões em janeiro de 2022.

De lá para cá, a empresa expandiu a operação de forma orgânica e também por meio de aquisições.

Em outubro de 2021, a Gupy comprou a Niduu, startup de educação corporativa, entrando no mercado de treinamento de funcionários. Em fevereiro de 2022, adquiriu a Kenoby, então sua principal concorrente em plataformas de recrutamento e seleção.

Um ano depois, em fevereiro de 2023, incorporou a Pulses, empresa especializada em gestão de pessoas e análise de dados sobre clima organizacional.

Segundo Mariana, o foco dos últimos 12 meses foi integrar essas soluções em uma única plataforma. "No último ano investimos muito na integração de todas essas soluções para estarem em um único lugar. Isso fez com que a plataforma crescesse mais de 60% no ano passado", afirma.

Hoje, segundo a executiva, cerca de 80% das empresas que fazem parte do Ibovespa utilizam alguma solução da Gupy.

O que faz a Bondy

A Bondy nasceu como um spin-off da Matchbox, empresa criada por Kleber Piedade e voltada para recrutamento e marca empregadora. A startup começou a operar como empresa independente em 2023 com a proposta de criar agentes de inteligência artificial para acompanhar toda a jornada de candidatos e funcionários.

Na prática, a tecnologia conversa com candidatos e colaboradores pelos canais que eles já utilizam. Em vez de acessar diferentes sistemas, o usuário pode tirar dúvidas, receber treinamentos, consultar informações sobre férias, holerite ou benefícios e acompanhar etapas do recrutamento diretamente pelo WhatsApp, Slack, Teams ou Google Chat.

"A gente vem numa jornada de criar agentes de IA que cuidam da jornada do talento de ponta a ponta. A gente sempre parte da premissa de estar no canal onde as pessoas já estão", afirma Kleber Piedade, fundador e CEO da Bondy.

A empresa trabalha principalmente com grandes companhias e atende clientes como a seguradora Porto Seguro, o frigorífico Minerva, a rede de farmácias RD Saúde, o frigorífico JBS, a empresa de terceirização Atento, a administradora de estacionamentos Estapar, a empresa de tecnologia CI&T e a consultoria Deloitte. Também possui operações em mais de dez países e consegue adaptar automaticamente as respostas ao idioma e às regras locais de cada empresa.

"A gente identifica de qual país aquele colaborador faz parte, consulta uma base de conhecimento específica e responde no idioma daquela pessoa. Já temos casos desse tipo em operação", afirma Piedade.

A tecnologia na prática

A parceria começou antes do investimento. Algumas empresas que utilizavam as duas plataformas passaram a integrar as soluções para resolver etapas específicas da jornada de RH.

Um dos casos é o da RD Saúde. Segundo a Gupy, o processo atende mais de 3.000 candidatos por mês e registrou aumento de 30% na conversão entre etapas do processo seletivo depois da adoção da tecnologia da Bondy.

"O que a Bondy fez foi personalizar partes do processo seletivo pelo WhatsApp, tudo integrado à Gupy, tornando a experiência mais rápida para o candidato", afirma Mariana.

Outro projeto está no Minerva. Nesse caso, os agentes de IA respondem dúvidas frequentes dos funcionários sobre holerite, férias e outros temas ligados ao departamento de pessoal.

As empresas também começaram a aplicar a tecnologia nos processos de integração de novos funcionários. Depois da contratação, o colaborador recebe treinamentos e orientações pelo WhatsApp, além de lembretes automáticos para concluir conteúdos obrigatórios.

"Como a Gupy já tem uma plataforma de treinamento, a gente consegue levar essas pílulas para dentro do WhatsApp e lembrar automaticamente quem ainda não acessou o conteúdo", afirma Piedade.

Por que a Gupy decidiu investir

Nos últimos anos, a Gupy expandiu seu portfólio principalmente por meio de aquisições. Desta vez, a estratégia foi diferente.

Segundo Mariana, o investimento foi escolhido justamente para preservar a velocidade da Bondy no desenvolvimento de novos produtos.

"É o primeiro investimento que fazemos. As empresas continuam separadas porque queremos a Bondy autônoma, rápida e com velocidade para desenvolver novas soluções", afirma.

A integração acontece por meio de APIs, interfaces de programação que permitem a troca de informações entre os sistemas das duas empresas. Dessa forma, clientes podem solicitar novas funcionalidades sem perder o histórico de dados já armazenados na plataforma da Gupy.

Segundo a CEO, grandes empresas costumam ter necessidades específicas que não cabem em um produto padronizado.

"Toda grande empresa acaba pedindo alguma personalização. Antes a nossa resposta muitas vezes era que aquilo não era possível. Com a Bondy conseguimos acelerar esse tipo de desenvolvimento", afirma.

Piedade afirma que a parceria preserva a autonomia comercial da startup.

"A gente continua com autonomia para atender nossos clientes e desenvolver novos negócios. Um dos motivos desse investimento foi justamente preservar a velocidade da Bondy e o conhecimento que construímos no mercado de RH", afirma.

O próximo passo

O objetivo agora é ampliar o número de processos que passam a funcionar em formato conversacional dentro da plataforma da Gupy.

A ideia é que recrutamento, admissão, treinamento, atendimento ao colaborador e outras atividades possam acontecer nos aplicativos que funcionários e candidatos já utilizam diariamente, sem exigir acesso a diferentes sistemas.

"A tecnologia hoje permite criar experiências muito mais personalizadas. O desafio é fazer isso com segurança, integração e qualidade para empresas de grande porte", afirma Mariana.

Para Piedade, o avanço passa por reduzir o número de plataformas com as quais o funcionário precisa interagir.

"Quando a gente olha para o candidato ou para o colaborador, ele é uma pessoa só. Quanto menos interfaces ele precisar usar e quanto mais a conversa acontecer no canal onde ele já está, melhor é a experiência", afirma.

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