Carreta da Alegria em frente ao primeiro ponto físico da marca: a ideia é centralizar bilheteria, produtos e espaço para fotos em um só lugar
Repórter
Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 07h30.
Buscando ser menos “o trenzinho que passa na rua” e mais “Disney”, a Carreta da Alegria entra em 2026 com um movimento inédito: após décadas rodando o Paraná, a marca abre o primeiro ponto fixo com bilheteria, embarque, loja de doces e souvenirs na cidade de Guaratuba, em um projeto de R$ 100 mil.
A Carreta da Alegria é aquele caminhão adaptado que puxa vagões coloridos, toca música alta e leva personagens como Fofão, Homem-Aranha, Chaves e Mario para dançar e interagir com o público nas ruas de cidades turísticas.
Apesar da fama nas redes, ela não é o mesmo que a Carreta Furacão, grupo que viralizou em vídeos de outra região do país. São equipes, empresas e histórias diferentes, ainda que o formato – música, fantasia e coreografia na rua – seja parecido.
Em 2025, a Carreta da Alegria registrou R$ 5 milhões em faturamento, com ingressos na faixa de R$ 20 a R$ 25 e apresentações diárias em mais de uma cidade.
O negócio que hoje lota carretas pelo Paraná começou com Antônio Schimaneski, que nos anos 1980 comprou trenzinhos e veículos adaptados para animar bairros populares em Ponta Grossa e região.
Desde então, a empresa seguiu como uma operação familiar, passando de geração em geração e se espalhando por cidades como Foz do Iguaçu, Ponta Grossa e Guaratuba, onde já faz parte do calendário oficial de férias.
A virada mais recente veio com a chegada da neta, Maria Antonia Schimaneski, que deixou o Direito para assumir o negócio em 2024.
A advogada, que cresceu acompanhando o negócio familiar, aplicou conceitos de experiência do cliente que aprendeu durante um curso no parque de diversões da Disney. Lá, conheceu bastidores, processos e detalhes de atendimento que o público comum não vê.
Maria Antonia Schimaneski assumiu o negócio da família, a Carreta da Alegria, em 2024 (Carreta da Alegria/Divulgação)
Com a chegada oficial da neta na Carreta, a marca passou a ser minuciosa com detalhes como figurino, roteiro e atendimento.
Segundo a advogada, isso significa olhar para toda a jornada do público: da hora em que a pessoa chega para comprar o ingresso até o momento em que desce da carreta e decide se leva ou não uma lembrança para casa.
O “método Disney”, na leitura de Maria Antonia, começa no básico: recepcionistas para dar boas-vindas pelo nome, personagens treinados para interagir com crianças tímidas, animadores dentro das carretas para o show não parar em nenhum trecho do trajeto.
Cada ponto de contato – fila, embarque, passeio, fotos finais – ganha um pequeno “roteiro” para que ninguém fique sem atenção e para que a experiência pareça organizada, mesmo em noites lotadas
Do lado interno, as mudanças aparecem em uniformes padronizados, ensaios fixos de coreografia, regras de postura em frente ao público e uma identidade visual que conecta todos os veículos e funcionários.
Em vez de pensar só em “encher a carreta e dar a volta na cidade”, a equipe passou a acompanhar o comportamento do público com mais atenção: quem chega mais cedo, quanto tempo fica, o que mais pergunta, onde costuma tirar foto.
É essa leitura que agora orienta não só o espetáculo na rua, mas também o desenho do novo ponto físico, pensado para prolongar a sensação de “estar na Carreta” mesmo quando o veículo não está passando na avenida.
Loja da Carreta da Alegria: espaço foi inaugurado na última semana de dezembro (Carreta da Alegria/Divulgação)
O ponto fixo da Carreta da Alegria foi pensado para funcionar como uma extensão do próprio passeio.
Localizado no Paraná, reúne em um único endereço a bilheteria, o ponto oficial de embarque e desembarque, a loja Mundo Doce e uma área de produtos licenciados, com copos, camisetas e miniaturas iluminadas da carreta. A ideia é que o público já sinta que “entrou no show” assim que pisa no espaço.
Visualmente, o lugar repete o que tornou a marca conhecida nas ruas: luzes, néons, cores fortes e elementos cenográficos que remetem aos vagões e aos personagens.
Ao invés de só ficar na fila, o visitante circula, tira foto, encontra figuras fantasiadas e tira fotos para registrar o passeio antes mesmo de subir no veículo.
Do lado da operação, o projeto precisou acomodar estoques, fluxo de filas e atendimento para públicos muito diferentes, de crianças pequenas a idosos.
Em cerca de 90 dias, a equipe tirou o conceito do papel, ajustando circulação interna, pontos de venda e áreas instagramáveis para que o espaço funcionasse como um hub oficial da marca na alta temporada de verão 2025/2026.