(Reprodução/LinkedIn)
Redação Exame
Publicado em 16 de abril de 2026 às 09h40.
Em um ambiente onde decisões financeiras são guiadas por previsibilidade e mitigação de risco, dois executivos seguiram na direção oposta e transformaram incerteza em valor bilionário.
Wemimo Abbey e Samir Goel abandonaram carreiras estáveis, acumularam US$ 100 mil em dívidas no cartão de crédito e enfrentaram centenas de recusas de investidores até consolidar a Esusu como uma fintech avaliada em US$ 1,2 bilhão.
A trajetória da Esusu começou antes mesmo da formalização da empresa, em 2018. Abbey atuava na PwC e Goel trabalhava no LinkedIn, enquanto ambos desenvolviam paralelamente a ideia de um modelo de crédito mais inclusivo. A proposta era permitir que pagamentos de aluguel fossem considerados na construção de histórico de crédito.
Mesmo com um mercado potencial relevante, a percepção inicial de investidores foi de baixo impacto tendo, ao todo, 326 recusas. Questionamentos recorrentes colocavam em dúvida a relevância do problema e o tamanho da oportunidade, especialmente em um cenário onde grande parte dos tomadores de decisão não vivenciava a realidade do público atendido pela solução.
Diante da resistência do mercado, os fundadores optaram por manter o projeto com recursos próprios enquanto conciliavam empregos formais. A virada ocorreu quando a tração da plataforma começou a crescer e investidores passaram a exigir dedicação integral ao negócio.
A decisão de abandonar a estabilidade corporativa marcou um ponto crítico na gestão financeira da empresa. Sem receita suficiente para sustentar a operação, Abbey e Goel recorreram ao crédito pessoal, acumulando US$ 100 mil em dívidas.
O período foi marcado por cortes extremos de custos, incluindo a impossibilidade de arcar com hospedagens e deslocamentos básicos durante a busca por novos aportes.
A escassez de recursos não interrompeu a operação. Pelo contrário, impôs um nível de disciplina financeira e foco em execução que se refletiu diretamente na evolução do negócio.
A análise de risco deixa de considerar apenas métricas tradicionais e passa a incorporar variáveis como comportamento, acesso e inclusão financeira.
Ao transformar pagamentos recorrentes em ativos financeiros, a Esusu não apenas ampliou o acesso ao crédito, mas também abriu novas possibilidades de geração de valor dentro do sistema financeiro.
A operação, que inicialmente foi subestimada, passou a movimentar bilhões em potencial econômico ao ampliar a capacidade de consumo e investimento de milhões de pessoas.
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