Mercado Imobiliário

Expansão imobiliária e economia prateada levam elevadores da Atlas Schindler a patamares mais altos

'Não há substituto para o elevador', diz presidente da companhia no Brasil à EXAME

Segundo o CEO da Atlas Schindler, expectativa de que mais de 70% da população mundial viva em áreas urbanas até 2050 reforça uma lógica simples: “A única solução é para cima”. (Atlas Schindler/Divulgação)

Segundo o CEO da Atlas Schindler, expectativa de que mais de 70% da população mundial viva em áreas urbanas até 2050 reforça uma lógica simples: “A única solução é para cima”. (Atlas Schindler/Divulgação)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 29 de maio de 2026 às 05h00.

Última atualização em 29 de maio de 2026 às 12h20.

Durante décadas, os elevadores brasileiros sobem e descem dentro de prédios que envelheceram junto com as cidades. Muitos ainda carregam tecnologias das décadas de 1970 e 1980 — máquinas pesadas, sistemas analógicos e estruturas que continuam funcionando quase como cápsulas do tempo da urbanização brasileira.

Agora, à medida que os edifícios envelhecem e as cidades ficam mais altas, modernizar esses equipamentos virou uma nova avenida de crescimento para empresas como a Atlas Schindler, que vem testemunhando todo esse avanço no Brasil nos últimos 100 anos.

A companhia, que já instalou mais de 260 mil elevadores no país desde 1918, encerrou 2025 com receita bruta de R$ 3,9 bilhões, alta de 11,8%, receita líquida de R$ 3,3 bilhões, crescimento de 11,5%, e lucro líquido de R$ 331 milhões, avanço de 70,6%. O Ebit somou R$ 473,2 milhões, crescimento de pouco mais de 37%.

A Atlas mantém sua sede histórica no Cambuci, em São Paulo, desde 1930 — complexo de 10 andares que agora ganha um novo prédio anexo de três andares, totalizando 44 mil metros quadrados. A empresa encerrou o ano com cerca de 5 mil funcionários diretos e entre 2,5 mil e 3 mil terceirizados.

Mesmo em um mercado imobiliário pressionado por juros altos, a leitura da companhia é que urbanização, envelhecimento da população e digitalização devem continuar sustentando a demanda estrutural por mobilidade vertical nos próximos anos.

Para Flavio Silva, presidente da Atlas Schindler no Brasil, os números do ano passado refletem um processo de transformação operacional e tecnológica iniciado nos últimos anos — e sustentado por uma leitura de longo prazo sobre urbanização e mobilidade vertical.

“Não há substituto para o elevador”, afirma o executivo à EXAME. “A gente viu tecnologias convergirem. O celular substituiu a câmera, parte do computador, uma série de dispositivos. Mas o elevador continua sendo um elemento intrínseco à vida urbana.”

A fala ajuda a explicar a aposta da companhia em um setor diretamente ligado à verticalização das cidades. Segundo Silva, a expectativa de que mais de 70% da população mundial viva em áreas urbanas até 2050 reforça uma lógica simples: “A única solução é para cima”.

Além da urbanização, a empresa também enxerga o envelhecimento populacional como vetor estrutural para o negócio. O chamado silver aging aumenta a demanda por acessibilidade, mobilidade e infraestrutura adaptada em edifícios residenciais, comerciais e hospitais.

O presidente descreve 2025 não como um ponto fora da curva, mas como “a consolidação de um filme” construído desde a pandemia. A crise expôs gargalos logísticos globais e levou a Atlas Schindler a acelerar a nacionalização de componentes.

A companhia aumentou significativamente o índice de nacionalização de peças para reduzir exposição às rupturas das cadeias internacionais de suprimento. Embora alguns componentes ainda venham da China e da Suíça, o produto final é descrito pela empresa como “majoritariamente nacional”.

Outro eixo importante foi eficiência operacional. A empresa revisou processos industriais utilizando metodologia Lean, reorganizando linhas de produção, logística e gestão de estoques.

Esse movimento também incluiu a consolidação do Centro de Serviços Compartilhados (CSC) em Londrina, criado há cinco anos para concentrar operações administrativas, tecnologia e automação. Segundo Silva, o objetivo do centro é “melhorar a eficiência do Brasil inteiro”.

Hoje, a Atlas Schindler possui cerca de 160 postos de atendimento espalhados pelo país, atuando em três frentes principais: novas instalações, manutenção e modernização de elevadores e escadas rolantes.

Do Minha Casa, Minha Vida ao altíssimo luxo

A empresa opera em diferentes segmentos do mercado imobiliário, indo da habitação popular aos arranha-céus de luxo.

No Minha Casa, Minha Vida, a Atlas Schindler desenvolveu o Schindler 1000, modelo voltado ao mercado de habitação social. Silva classifica o programa federal como “bem-sucedido” por ampliar acesso à moradia e afirma que o equipamento foi desenhado para tornar a companhia competitiva nesse nicho.

Na outra ponta, a empresa atua em projetos de altíssimo padrão e supertorres corporativas e residenciais.

Balneário Camboriú, em Santa Catarina, se tornou um dos principais símbolos dessa transformação. Segundo o executivo, o “padrão médio” da cidade já envolve edifícios com cerca de 56 paradas.

Quanto mais altos os prédios, mais complexa se torna a engenharia da mobilidade vertical. A velocidade dos elevadores passa a ser decisiva para evitar longos tempos de deslocamento interno.

A companhia também participa da disputa pela participação no Senna Tower, megaprojeto residencial que promete se tornar um dos edifícios mais altos do mundo. Questionado sobre a presença da Atlas Schindler no empreendimento, Silva cita apenas que a empresa “está em concorrência”.

O elevador virou plataforma digital

Mais do que fabricar equipamentos, a Atlas Schindler tenta reposicionar o elevador como infraestrutura tecnológica dos edifícios. “O elevador do futuro é digital, não mais analógico”, diz Silva.

A companhia investe em plataformas de conectividade como o Schindler Ahead, sistema que monitora equipamentos em tempo real, permite manutenção preditiva e intervenções remotas.

Outra frente envolve integração entre elevadores e robôs de entrega, por meio do Schindler CoLab, solução já utilizada em hospitais e hotéis brasileiros.

Na prática, o elevador deixa de ser um equipamento isolado e passa a funcionar como parte da inteligência operacional dos prédios.

Esse conceito aparece em projetos como o World Trade Center Uberlândia, complexo corporativo de 50 mil metros quadrados que utilizará elevadores integrados a sistemas digitais de gestão de tráfego e reconhecimento facial.

O Brasil também ganhou relevância dentro da operação global da Schindler. A empresa mantém no país um dos seis centros mundiais de pesquisa e desenvolvimento do grupo suíço e inaugurou recentemente um novo prédio de P&D em Londrina, voltado ao desenvolvimento e exportação de soluções tecnológicas.

Acompanhe tudo sobre:Atlas SchindlerMercado imobiliário

Mais de Mercado Imobiliário

Valentina fazia figuração no SBT. Hoje, toda transação na Paulista passa por ela

Vida Imobiliária: A geração que prefere mobilidade a grandes apartamentos

Deixamos o inventário para depois, mas já se passaram 12 anos. E agora?

R$ 8 bilhões em jogo: resort de Ivanka Trump na Albânia enfrenta investigação