Fachada de sede da União Europeia, em Bruxelas, que debate sobre adotar acordo com Mercosul (Nicolas Tucat/AFP)
Repórter
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 06h20.
Última atualização em 19 de janeiro de 2026 às 06h29.
A União Europeia discute a imposição de tarifas sobre até 93 bilhões de euros em produtos dos Estados Unidos caso o presidente americano, Donald Trump, leve adiante a ameaça de aplicar uma sobretaxa de 10% a partir de 1º de fevereiro sobre bens europeus.
O plano, segundo a Bloomberg, é tratado como uma resposta direta à pressão comercial anunciada por Washington.
Além das tarifas, o bloco avalia contramedidas adicionais, mas a prioridade inicial é buscar uma solução diplomática. Representantes dos 27 países da UE se reuniram no domingo para mapear cenários e preparar opções de reação.
Um encontro de emergência de líderes europeus está previsto para esta semana, em Bruxelas, com foco nas possíveis retaliações.
O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, afirmou que os países do bloco estão unidos em apoio à Dinamarca e à Groenlândia e prontos para “se defender contra qualquer forma de coerção”. A tensão aumentou depois que Trump anunciou, no sábado, 17, tarifas de 10% sobre produtos de oito países europeus, com previsão de elevação para 25% em junho, caso não haja um acordo envolvendo a “compra da Groenlândia”.
A ameaça foi feita após esses países informarem que realizariam exercícios militares limitados da Otan no território autônomo dinamarquês. Líderes europeus reagiram com dureza. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou a declaração como “completamente errada”, enquanto o sueco Ulf Kristersson afirmou que seu país não aceitará “chantagem”.
O presidente da França Emmanuel Macron chamou a medida de “inaceitável” e sinalizou que pedirá a ativação do instrumento anti-coerção da União Europeia, o mecanismo mais forte de retaliação comercial do bloco.
Como reação imediata, de acordo com a Bloomberg, a UE decidiu interromper o processo de aprovação do acordo comercial firmado com os EUA em julho, que ainda depende do aval do Parlamento Europeu. O Partido Popular Europeu, maior bancada do Legislativo, informou que se unirá a outras legendas para bloquear a ratificação.
Segundo fontes, o bloco já aprovou no passado tarifas retaliatórias sobre 93 bilhões de euros em produtos americanos, mas suspendeu sua aplicação. Caso Trump confirme a sobretaxa em fevereiro, essas medidas podem ser reativadas rapidamente. Entre os alvos potenciais estão aviões da Boeing, automóveis fabricados nos EUA e o bourbon americano.
Economistas alertam que, se a tarifa americana chegar a 25%, as exportações dos países atingidos para os Estados Unidos podem cair até 50%, com Alemanha, Suécia e Dinamarca entre os mais expostos. Ainda assim, autoridades europeias avaliam que a resposta precisa ser coordenada para evitar uma escalada que comprometa décadas de cooperação transatlântica.
O dólar sofria um baque na manhã desta segunda-feira, 19, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar impor tarifas a oito países europeus por apoiarem a soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia.
A medida gerou fuga de investidores de ativos norte-americanos e reacendeu temores de um novo ciclo de isolacionismo econômico dos Estados Unidos.
Os futuros do S&P 500 recuavam 0,8%, os do Nasdaq, 1,1%, e o Bloomberg Dollar Spot Index caía 0,1%. Moedas consideradas porto seguro, como o iene e o franco suíço, se fortaleciam. Ouro e prata batiam recordes.