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Trump diz que 'chegou a hora' de tomar providências na Groenlândia

Presidente dos Estados Unidos citou "ameaça russa" no território

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 08h30.

Última atualização em 19 de janeiro de 2026 às 08h36.

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump afirmou neste domingo, 19, que vai tomar providências em relação à "ameaça russa na Groenlândia".

Em publicação feita na rede social Truth Social, Trump disse que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) diz há 20 anos que seria necessário a Dinamarca "afastar" a Rússia do território. Segundo o republicano, o país não conseguiu fazer "nada a respeito".

"Agora chegou a hora, e isso será feito", escreveu o presidente dos EUA.

As declarações ocorrem em meio a uma escalada de tensões entre Washington e a União Europeia. O bloco discute a imposição de tarifas sobre até 93 bilhões de euros em produtos dos Estados Unidos caso Trump leve adiante a ameaça de aplicar uma sobretaxa de 10% a partir de 1º de fevereiro sobre bens europeus, segundo a Bloomberg.

O plano é tratado como resposta direta à pressão comercial americana. Além das tarifas, a UE avalia outras contramedidas, embora a prioridade inicial seja buscar uma solução diplomática. Representantes dos 27 países do bloco se reuniram no domingo para mapear cenários e preparar opções de reação.

Um encontro de emergência de líderes europeus está previsto para esta semana, em Bruxelas, com foco nas possíveis retaliações. O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, afirmou que os países do bloco estão unidos em apoio à Dinamarca e à Groenlândia e prontos para “se defender contra qualquer forma de coerção”.

A tensão aumentou após Trump anunciar, no sábado, 17, tarifas de 10% sobre produtos de oito países europeus, com previsão de elevação para 25% em junho, caso não haja um acordo envolvendo a “compra da Groenlândia”.

Reações políticas e instrumento anti-coerção

A ameaça americana foi feita depois que esses países informaram que realizariam exercícios militares limitados da Otan no território autônomo dinamarquês. Líderes europeus reagiram com críticas. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, classificou a declaração como “completamente errada”, enquanto o premiê da Suécia, Ulf Kristersson, afirmou que seu país não aceitará “chantagem”.

O presidente da França, Emmanuel Macron, chamou a medida de “inaceitável” e indicou que pedirá a ativação do instrumento anti-coerção da União Europeia, considerado o mecanismo mais robusto de retaliação comercial do bloco.

Como reação imediata, a UE decidiu interromper o processo de aprovação do acordo comercial firmado com os EUA em julho, que ainda depende do aval do Parlamento Europeu. O Partido Popular Europeu, maior bancada do Legislativo, informou que se unirá a outras legendas para bloquear a ratificação.

Segundo fontes, o bloco já havia aprovado no passado tarifas retaliatórias sobre 93 bilhões de euros em produtos americanos, mas suspendeu sua aplicação. Caso Trump confirme a sobretaxa em fevereiro, essas medidas poderão ser reativadas rapidamente, atingindo itens como aviões da Boeing, automóveis fabricados nos EUA e o bourbon americano.

Dólar cai após ameaças de Trump

O dólar sofria um baque na manhã desta segunda-feira, 19, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar impor tarifas a oito países europeus por apoiarem a soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia.

A medida gerou fuga de investidores de ativos norte-americanos e reacendeu temores de um novo ciclo de isolacionismo econômico dos Estados Unidos.

Os futuros do S&P 500 recuavam 0,8%, os do Nasdaq, 1,1%, e o Bloomberg Dollar Spot Index caía 0,1%. Moedas consideradas porto seguro, como o iene e o franco suíço, se fortaleciam. Ouro e prata batiam recordes.

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