Milei aceitou o convite e Erdogan ainda não se pronunciou sobre a participação (Reprodução/Redes Sociais)
Redação Exame
Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 13h11.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou os presidentes da Argentina, Javier Milei, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, para integrar o Conselho da Paz, órgão criado para supervisionar o governo tecnocrático da Faixa de Gaza.
Aliado de Trump na América Latina, Milei divulgou neste sábado, 17, na rede social X (antigo Twitter), uma imagem do convite e afirmou ser uma honra participar como "membro fundador" do conselho, criado "para promover a paz duradoura em regiões afetadas por conflitos, começando pela Faixa de Gaza".
"A Argentina sempre estará ao lado dos países que enfrentam o terrorismo de frente, que defendem a vida e a propriedade e que promovem a paz e a liberdade. É uma honra para nós unirmo-nos a eles nesta importante responsabilidade", escreveu.
GRACIAS PRESIDENTE TRUMP @realDonaldTrump@POTUS
Es un honor para mí haber recibido esta noche la invitación para que la Argentina integre, como Miembro Fundador, el Board of Peace, una organización creada por el Presidente Trump para promover una paz duradera en regiones… pic.twitter.com/ORalzkzhlv
— Javier Milei (@JMilei) January 17, 2026
Erdogan ainda não comentou publicamente o convite. A informação foi confirmada pelo porta-voz do governo turco, Burhanettin Duran.
Segundo autoridades locais, Trump também estendeu o convite ao presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sisi, e ao primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que sinalizou intenção de aceitar, de acordo com um funcionário de alto escalão do governo canadense.
O Conselho da Paz será presidido por Trump e integra a segunda fase do plano de paz dos EUA para a região. Além de Milei, o grupo contará com o secretário de Estado americano, Marco Rubio; o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair; os enviados de Trump ao Oriente Médio, Steve Witkoff e Jared Kushner; o empresário Marc Rowan; o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga; e o assessor Robert Gabriel.
O conselho ficará acima do Comitê Nacional para o Governo de Gaza (NCAG, na sigla em inglês), liderado por Ali Shaath, ex-ministro dos Transportes da Autoridade Palestina. Nascido em Khan Yunis, na Faixa de Gaza, Shaath será responsável pela reconstrução do território, devastado após dois anos de bombardeios israelenses.
Com a criação do órgão, Trump avança no plano anunciado em fevereiro de 2025, pouco depois de retornar à Casa Branca, quando afirmou que os Estados Unidos assumiriam o controle de Gaza. Agora, o país passa a exercer controle administrativo e militar sobre o território.
ONU acusa Israel de impor 'apartheid' na CisjordâniaA atuação do Conselho da Paz e do NCAG está prevista na segunda etapa do plano de paz apresentado pelos EUA em setembro de 2025, aceito por Israel e pelo Hamas e aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU em novembro.
O acordo prevê ainda o envio de uma força militar de estabilização, formada por Exércitos de países árabes, e o desarmamento do Hamas, ponto mais sensível do tratado.
O Hamas afirma que só entregará as armas após a criação de um Estado palestino, tema reservado à terceira fase do plano —hipótese já rejeitada pelo primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.
Segundo a Casa Branca, a força de estabilização será comandada pelo major-general americano Jasper Jeffers, responsável pela desmilitarização de Gaza e pela entrega segura de ajuda humanitária e materiais para reconstrução.