Tarifaço: Estados Unidos são o principal parceiro comercial do Canadá (Foto por JIM WATSON/AFP)
Repórter
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 20h45.
Última atualização em 24 de agosto de 2026 às 20h50.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira, 24, que pretende elevar para 50% as tarifas sobre automóveis, caminhões, autopeças e aço importados do Canadá a partir de 1º de janeiro de 2027. A medida acontece em meio ao agravamento da disputa comercial entre os dois países.
Atualmente, os automóveis canadenses são submetidos a uma tarifa de 25% quando não utilizam materiais americanos em sua fabricação. No caso do aço, as importações já são, em geral, taxadas em 50%.
A nova ameaça ocorre poucos dias depois de Estados Unidos e Canadá não conseguirem chegar a um acordo para evitar a aplicação de tarifas adicionais. As medidas anunciadas por Washington entraram em vigor no fim de semana e atingem produtos canadenses avaliados em cerca de US$ 20 bilhões (R$ 103 bilhões), equivalentes a 5,5% das exportações do Canadá para os Estados Unidos.
Washington afirma que o Canadá adota um “tratamento discriminatório” contra produtos americanos, incluindo bebidas alcoólicas, automóveis, produtos lácteos, papel e itens agrícolas.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que o país vai adotar tarifas de retaliação e rejeitou o que classificou como um acordo ruim.
Segundo Carney, o objetivo das negociações era obter “o melhor acordo para os canadenses”, e não aceitar um acordo “a qualquer preço ou em qualquer prazo”. Ele afirmou ainda que os Estados Unidos queriam destruir setores importantes da economia canadense por meio de condições injustas.
Carney também disse que o Canadá pretende fortalecer a produção doméstica e ampliar sua rede de comércio com outros países, especialmente na Ásia e na União Europeia.
De acordo com o premiê, Washington chegou a pressionar o Canadá para impor restrições a seus acordos comerciais com outros países. Ele também mencionou ameaças relacionadas à língua francesa e à cultura de Quebec.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, por sua vez, atribuiu o fracasso das negociações a “exigências irracionais de última hora” feitas pelo Canadá.
Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial do Canadá. As exportações canadenses para o país representam 70% do total.
As tarifas impostas por Trump já afetam setores considerados estratégicos para a economia canadense, como as indústrias automobilística e siderúrgica. O Canadá é, neste ano, o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos em bens, atrás do México, segundo dados do Departamento do Censo.
Uma pesquisa do Angus Reid Institute apontou que três em cada quatro canadenses apoiaram a decisão de Carney de deixar as negociações comerciais. Ao mesmo tempo, dois em cada cinco disseram ter algum temor em relação aos próprios empregos.
O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, também criticou a ameaça de novas tarifas sobre os automóveis. Trump respondeu nas redes sociais e afirmou que as consequências poderiam ser “muito piores” caso as autoridades canadenses não se alinhassem aos Estados Unidos.
As negociações entre os dois países se intensificaram na última semana. O principal negociador canadense, Dominic LeBlanc, e sua equipe passaram horas reunidos em Washington com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, na quinta e na sexta-feira, mas não chegaram a um acordo.
Trump havia adiado por três dias a aplicação das tarifas na semana passada enquanto as conversas avançavam.
Nesta segunda-feira, o presidente americano voltou a criticar o Canadá e afirmou que o país “vem enganando os Estados Unidos da América há anos”. “Nós não precisamos do Canadá, eles é que precisam de nós”, disse.
Os dois países ainda precisam negociar a revisão do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC), compartilhado com o México. Trump se recusou a renovar o acordo no mês passado.
As ameaças do presidente americano de transformar o Canadá no 51º estado dos Estados Unidos também têm provocado irritação entre os canadenses.
(Com informações da AFP)