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Ottawa anunciou medidas de retaliação.
Colaboradora
Publicado em 23 de agosto de 2026 às 13h56.
Última atualização em 23 de agosto de 2026 às 16h57.
Os Estados Unidos e o Canadá entraram em uma nova escalada comercial após o fracasso das negociações entre os dois países. O governo de Donald Trump afirmou neste domingo, 23, que seria “insensato” o Canadá acreditar que poderia vencer uma guerra comercial contra os EUA e previu um impacto “devastador” para a economia canadense.
As negociações entre Washington e Ottawa terminaram sem acordo na sexta-feira. Com o impasse, entraram em vigor novas tarifas de 50% dos Estados Unidos sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses, equivalentes a 5,5% das exportações do Canadá para o mercado americano.
O Canadá anunciou tarifas equivalentes contra produtos dos EUA. As novas medidas, que incluem setores como aço e laticínios, estão previstas para entrar em vigor em 8 de setembro.
O secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, afirmou que o Canadá teria mais a perder em um confronto comercial com Washington.
Os Estados Unidos representam aproximadamente 70% das exportações canadenses. Segundo Duffy, essa dependência faria com que Ottawa sofresse mais com uma ruptura comercial.
O secretário também afirmou que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, deverá retornar rapidamente às negociações diante dos efeitos econômicos das novas tarifas.
Carney adotou uma postura de confronto após o fim das negociações. No sábado, o primeiro-ministro anunciou tarifas de retaliação contra os Estados Unidos e afirmou que Ottawa havia rejeitado um acordo considerado desfavorável.
Segundo Carney, entre as exigências americanas estavam restrições para que o Canadá fechasse acordos comerciais com outros países. Ele também citou ameaças relacionadas à língua francesa e à cultura de Quebec.
Donald Trump respondeu no domingo em uma publicação na rede Truth Social. O presidente americano voltou a defender a política comercial dos EUA e afirmou que o Canadá não poderia continuar obtendo benefícios da relação com os Estados Unidos sem assumir as mesmas condições de um estado americano.
A nova rodada de tarifas amplia uma disputa comercial que se intensificou desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025. O presidente americano também voltou a ameaçar transformar o Canadá no 51º estado dos EUA.
O primeiro-ministro canadense afirmou que a relação entre os dois países mudou de forma permanente e defendeu a redução da dependência econômica em relação a Washington.
Antes do fracasso das negociações, o Canadá buscava reduzir tarifas americanas sobre automóveis, aço e alumínio, medidas que, segundo o governo canadense, já afetaram a economia e contribuíram para perdas de empregos.
O governo dos EUA, por sua vez, acusou o Canadá de adotar tratamento discriminatório contra produtos americanos, incluindo bebidas alcoólicas, automóveis e produtos lácteos.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou ao New York Times que Washington havia oferecido reduzir as tarifas sobre aço, alumínio e automóveis e eliminar uma tarifa recentemente aplicada à madeira canadense.
Segundo Greer, as condições dariam ao Canadá um tratamento comercial mais favorável do que o concedido a qualquer outro parceiro dos Estados Unidos.
Apesar da proposta, não há novas negociações previstas entre os governos. A disputa agora avança para uma nova fase, com tarifas americanas já em vigor e medidas de retaliação canadenses programadas para setembro.
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