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'Shutdown' nos EUA deve durar poucos dias após impasse sobre imigração

Paralisação começou após desacordo sobre recursos para o Departamento de Segurança Interna e pode durar apenas o fim de semana.

Shutdown nos EUA: Congresso tenta acordo rápido para evitar impactos mais amplos da paralisação orçamentária. (Julia Nikhinson/Sipa/Bloomberg/Getty Images)

Shutdown nos EUA: Congresso tenta acordo rápido para evitar impactos mais amplos da paralisação orçamentária. (Julia Nikhinson/Sipa/Bloomberg/Getty Images)

Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 08h43.

O governo federal dos Estados Unidos entrou em um novo período de shutdown, mas a expectativa é de que o bloqueio seja breve e dure apenas até uma votação prevista para segunda-feira, 2, no Congresso.

A paralisação ocorre três meses após o encerramento do shutdown mais longo da história do país, registrado entre outubro e novembro do ano passado. Apesar do Senado ter aprovado um projeto orçamentário horas antes do prazo final, a medida ainda depende da análise e votação na Câmara dos Representantes, que agendou a deliberação para o início da próxima semana.

Com isso, os impactos devem ser limitados, já que o bloqueio pode se restringir ao fim de semana, sem a necessidade de colocar grande número de servidores em licença não remunerada.

O impasse foi provocado pela resistência dos democratas em aprovar recursos destinados ao Departamento de Segurança Interna (DHS). A oposição questiona o financiamento após a morte a tiros de dois manifestantes durante operações anti-imigração do governo de Donald Trump no estado de Minnesota.

O texto aprovado pelo Senado na sexta-feira obteve 71 votos favoráveis e 29 contrários e resultou de um acordo entre a Casa Branca e parlamentares democratas. Pelo entendimento, cinco dos seis projetos orçamentários avançaram, enquanto a parte referente ao DHS será negociada separadamente nas próximas duas semanas.

Em nota divulgada na noite de sexta-feira, o Escritório de Orçamento da Casa Branca (OMB) orientou os departamentos federais a iniciarem os procedimentos para um shutdown, ao mesmo tempo em que afirmou ter expectativa de uma paralisação “breve”.

Pressão política após mortes em operações federais

Na semana passada, o projeto caminhava para aprovação antes do prazo de 31 de janeiro, mas o cenário mudou após os episódios registrados em Minneapolis. A morte de Alex Pretti e, dias antes, de Renee Good, durante ações conduzidas por agentes federais, gerou forte reação no meio político.

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que o partido busca “frear o ICE e pôr fim à violência”. Entre as exigências, estão medidas para restringir práticas adotadas nas operações, como a proibição do uso de balaclavas por agentes federais. “Chega de polícia secreta”, disse.

Pelas regras do Senado, são necessários ao menos 60 votos para aprovar projetos orçamentários. Apesar de terem maioria, os republicanos precisaram do apoio de parlamentares democratas para avançar com a proposta.

Embora o shutdown já esteja em vigor, a avaliação é de que o episódio não se prolongará como no ano passado, quando a disputa entre republicanos e democratas sobre subsídios aos seguros de saúde levou a uma paralisação de 43 dias.

Na ocasião, centenas de milhares de servidores foram colocados em licença temporária, enquanto funcionários considerados essenciais seguiram trabalhando sem remuneração até o fim do bloqueio orçamentário.

*Com informações da AFP 

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