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Sem emprego e com aluguel alto, jovens chineses passam a dividir até a cama

Para economizar dinheiro, milhões de chineses vivem em condições frugais para mitigar os efeitos da insegurança no mercado de trabalho

Jovens na China, mesmo com diplomas de boas universidades, enfrentam alta competição e dificuldades para encontrar empregos, mesmo em vagas de nível baixo (PETER PARKS/AFP/Getty Images)

Jovens na China, mesmo com diplomas de boas universidades, enfrentam alta competição e dificuldades para encontrar empregos, mesmo em vagas de nível baixo (PETER PARKS/AFP/Getty Images)

Publicado em 2 de agosto de 2026 às 09h00.

A China vive, no momento, uma forte crise trabalhista, afetando especialmente jovens recém-graduados, que enfrentam alta competição por empregos de nível de entrada, à medida que a automatização toma conta de cada vez mais vagas.

Neste ponto, a insegurança é tamanha que não é incomum compartilhar custos com estranhos: para mitigar os custos do aluguel de uma pequena moradia, muitos dividem quartos e até mesmo camas, cortando os preços pela metade.

Algo que parece bizarro — adultos desconhecidos compartilhando camas apenas pelo custo-benefício — tornou-se um símbolo da incerteza trabalhista que aflige os jovens chineses e uma medida desconfortável, mas necessária à sobrevivência econômica.

E, para muitos, a prática se tornou apenas mais uma realidade mundana, algo necessário nas atuais condições econômicas que resultam em poucas oportunidades.

"Além da compreensão"

No fim de junho, a hashtag "compartilhando uma cama é uma dificuldade além da minha compreensão" viralizou nas redes chinesas, alcançando 14 milhões de menções na rede social Weibo, equivalente ao X na China, e mais de 40 milhões no Douyin, semelhante ao TikTok.

Enquanto isso, procuras sobre "compartilhamento de camas" no Xiaohongshu, semelhante ao Instagram, renderam mais de 37 mil postagense se tornaram a principal plataforma para a procura de novos colegas de quarto — e, muitas vezes, de cama.

Em muitos casos, quartos no mesmo apartamento são alugados separadamente, cada um como seu próprio imóvel, abrigando desconhecidos de diferentes áreas de atuação.

Embora ainda seja uma prática de nicho entre os cerca de 260 milhões de inquilinos da China, seu crescimento passou a ser visto por analistas como um retrato de uma economia marcada pela cautela dos consumidores e pela crescente insegurança no mercado de trabalho, especialmente entre os jovens.
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