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Sem citar EUA, presidente chinês critica ‘intimidação hegemônica’

A declaração foi feita durante um encontro em Pequim com o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 12h53.

O presidente da China, Xi Jinping, fez nesta segunda-feira, 5, uma crítica indireta à atuação dos Estados Unidos na Venezuela, dois dias após a invasão americana que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Em encontro com o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, em Pequim, Xi afirmou que “práticas de unilateralismo e de intimidação hegemônica estão afetando gravemente a ordem internacional”, segundo nota oficial divulgada pela agência estatal chinesa Xinhua.

Sem citar diretamente os Estados Unidos ou o presidente Donald Trump, Xi defendeu que todos os países devem respeitar o direito de outros povos de escolher de forma independente seu próprio caminho de desenvolvimento, além de cumprir o direito internacional e os princípios da Carta das Nações Unidas.

A fala segue o padrão do líder chinês, que evita mencionar países ou chefes de Estado de maneira direta, mas sinaliza a posição de Pequim diante do atual cenário global, descrito por ele como um período de “sobreposição de mudanças e turbulências”.

"As grandes potências, em particular, devem dar o exemplo", afirmou Xi durante o encontro.

O presidente chinês também destacou que China e Irlanda compartilham apoio ao multilateralismo e à defesa da equidade e da justiça internacionais.

De acordo com o comunicado oficial, os dois países defenderam o fortalecimento da coordenação em assuntos globais, a preservação da autoridade da ONU e a promoção de um sistema de governança global considerado mais justo e razoável.

Apesar do tom crítico, a resposta chinesa à ofensiva americana tem se mantido no campo diplomático e retórico.

Aliança política com a Venezuela

A China é um dos principais aliados políticos e econômicos do regime venezuelano liderado por Nicolás Maduro, capturado na madrugada de sábado por forças de elite dos Estados Unidos.

O país asiático é o maior credor da dívida venezuelana, parceiro comercial estratégico e principal comprador do petróleo produzido pelo país sul-americano.

A proximidade entre Pequim e Caracas ficou evidente na última atividade pública de Maduro antes da prisão. Na noite de sexta-feira, ele recebeu no Palácio de Miraflores Qiu Xiaqi, enviado especial de Xi Jinping para Assuntos Latino-Americanos.

O encontro durou mais de três horas e, ao final, Maduro classificou a relação bilateral como “uma união perfeita, à prova de tudo e em todos os momentos”, expressão que dá nome à associação estratégica firmada entre os dois países em 2024, durante visita do venezuelano à China.

Nos últimos meses, com o aumento da pressão americana, a China manteve apoio político constante a Caracas, por meio de notas oficiais e da solicitação de reuniões do Conselho de Segurança da ONU para tratar da situação no país.

Após a intervenção e a captura de Maduro, o Ministério das Relações Exteriores da China condenou o que chamou de “comportamento hegemônico” de Washington e exigiu a libertação imediata do venezuelano e de sua esposa, Cilia Flores.

Em nota divulgada no sábado, a chancelaria chinesa afirmou estar “profundamente consternada” e condenou o “uso temerário da força” contra um Estado soberano.

No domingo, voltou a pedir garantias à integridade física do casal e a interrupção de ações destinadas a “subverter o regime venezuelano”.

Nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, reforçou que a cooperação entre China e Venezuela ocorre entre Estados soberanos e é protegida pelo direito internacional. Ele afirmou que Pequim acompanha de perto a situação e que, independentemente da evolução do cenário político venezuelano, mantém a disposição de aprofundar a cooperação bilateral em diversas áreas.

*Com informações do Globo e AFP

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