Rússia: Moscou foi atingida por um ataque de drones em 'grande escala' vindo da Ucrânia na última quinta-feira, 18 (AFP)
Repórter
Publicado em 19 de junho de 2026 às 08h06.
A tensão entre Rússia e Ucrânia voltou a aumentar após uma nova sequência de ataques dos dois lados.
Na quinta-feira, 18, a Ucrânia lançou o maior ataque com drones contra Moscou em pelo menos dois anos, segundo a agência estatal russa TASS. A ofensiva atingiu a capital russa e seus arredores, provocou incêndios e levou ao fechamento temporário de aeroportos.
Um dos principais alvos foi a refinaria MNPZ, no distrito de Kapotnia, em Moscou.
O prefeito da capital russa, Sergei Sobyanin, classificou a ação como um ataque “em larga escala”, mas não detalhou a extensão dos danos. Segundo ele, as defesas antiaéreas derrubaram 180 drones que se aproximavam da cidade.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que interceptou mais de 500 drones ucranianos em todo o país durante a madrugada. Outro ataque ucraniano com drones contra a região russa de Rostov, no sul do país, matou uma pessoa e deixou duas feridas, segundo o governador regional.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, disse que o ataque à refinaria foi uma “resposta plenamente justificada aos ataques russos contra nossas cidades”. Em mensagem enviada à imprensa, afirmou que a Ucrânia não queria a guerra, mas declarou: “se a Ucrânia queima, a sua Moscou também vai queimar”.
A Rússia reagiu com ameaça de novos bombardeios. O chanceler russo, Serguei Lavrov, afirmou que o presidente Vladimir Putin já havia anunciado ataques simultâneos regulares contra a Ucrânia e disse que o Exército russo “está fazendo isso e continuará fazendo”.
Entre a noite de quarta-feira, 17, e a manhã de quinta-feira, 18, Moscou lançou mais de 200 drones e vários mísseis balísticos contra o território ucraniano, segundo a Força Aérea da Ucrânia.
A capital Kiev foi alvo de um ataque com mísseis nas primeiras horas de quinta-feira, 18. Jornalistas da AFP presentes no local ouviram o som de um míssil e duas explosões, além de verem pessoas correndo em direção a abrigos após um alerta aéreo.
Na noite de quinta-feira, 18, drones russos também atacaram dois barcos civis no Mar Negro, segundo autoridades ucranianas. Um tripulante de um navio com bandeira panamenha morreu, e outros dois marinheiros ficaram feridos, um deles em estado grave.
Três marinheiros de outra embarcação, que navegava sob bandeira de São Cristóvão e Névis, também ficaram levemente feridos. Segundo o governador da região de Odessa, Oleg Kiper, os bombardeios ocorreram quando as embarcações deixavam portos ucranianos.
Apesar da escalada militar, Rússia e Ucrânia mantiveram uma rara cooperação na troca de corpos de combatentes. Kiev informou nesta quinta-feira, 18, que Moscou entregou 522 cadáveres, principalmente de combatentes mortos. A Ucrânia, por sua vez, entregou 33 corpos à Rússia, segundo o deputado russo Shamsail Saraliev.
Na reunião do G7 realizada nesta semana na França, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Rússia “deveria chegar a um acordo” para encerrar o conflito. Ele também disse que Washington poderia voltar a impor sanções contra Moscou.