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Quem foi Hugo Chávez, mentor de Nicolás Maduro

Ex-presidente governou a Venezuela por 14 anos, implantou o bolivarianismo e escolheu Maduro como sucessor

Hugo Chavez: em vida, teorizava sobre interesse dos EUA no petróleo venezuelano (Marco Bello/Reuters)

Hugo Chavez: em vida, teorizava sobre interesse dos EUA no petróleo venezuelano (Marco Bello/Reuters)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 15h46.

Hugo Chávez governou a Venezuela por 14 anos, entre 1999 e 2013, e se afastou da Presidência da Venezuela ao ser diagnosticado com câncer em estágio avançado, abrindo um debate interno e internacional sobre sua sucessão. O escolhido foi, justamente, Nicolás Madurocapturado neste sábado, 3, por ordem do presidente dos Estados Unidos.

Maduro havia sido vice-presidente de Chávez e ministro das Relações Exteriores no período mais decisivo do chavismo.

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Mas, afinal, quem foi Chávez?

Nascido em 1954, em Sabaneta, no estado de Barinas, Chávez veio de uma família de professores e ingressou, aos 17 anos, na Academia Militar da Venezuela, onde passou a adotar ideias nacionalistas e revolucionárias.

Na década de 1980, fundou o Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), inspirado em Simón Bolívar e em figuras históricas ligadas à esquerda venezuelana.

Ele ganhou projeção nacional após liderar uma tentativa fracassada de golpe de Estado em 1992 contra o então presidente Carlos Andrés Pérez. Preso, tornou-se conhecido ao aparecer na TV pedindo a rendição de seus aliados e dizendo que a missão havia falhado "por enquanto".

Anistiado em 1994, Chávez abandonou o meio militar e optou pela política. Criou o Movimento V República (MVR) e construiu um discurso centrado no combate à corrupção e no uso da riqueza do petróleo para reduzir a pobreza.

Com forte apoio popular, venceu a eleição presidencial de 1998 com 56% dos votos e assumiu o cargo em fevereiro de 1999.

No poder, promoveu uma reforma constitucional, aprovada por uma Assembleia Constituinte.

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Reeleito em 2000 e novamente em 2006, Chávez consolidou um projeto que chamou de "socialismo do século XXI". Seu governo ampliou programas sociais nas áreas de saúde, educação e renda, o que garantiu apoio entre as camadas mais pobres, mas também intensificou a oposição da elite econômica.

Em 2002, enfrentou uma tentativa de golpe de Estado, chegou a ser afastado do cargo por dois dias, mas retornou ao poder com apoio de militares leais e de mobilizações populares.

A partir daí, reforçou o controle sobre o Executivo e ampliou a influência política das Forças Armadas.

Diagnosticado com câncer em 2011, Chávez manteve-se no poder e venceu a eleição de 2012, mas morreu em março de 2013. Seu vice, Nicolás Maduro, assumiu a presidência após nova eleição.

Preocupação com os EUA e o petróleo em 2009

Uma entrevista de Chávez voltou a ganhar notoriedade neste sábado, 3, depois que as forças militares dos EUA fizeram um "ataque em larga escala" à Venezuela. Na operação, os norte-americanos capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

Trump admitiu publicamente o interesse no petróleo venezuelano, em entrevista à Fox News horas após a ação. "O que posso dizer? Nós temos as maiores e melhores companhias de petróleo do mundo. Estaremos muito envolvidos", declarou.

Em uma entrevista concedida em 2009, ainda durante o governo de Barack Obama, Hugo Chávez já demonstrava forte desconfiança em relação aos Estados Unidos.

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Na ocasião, afirmou em entrevista à Rádio Cadena Nacional, da Colômbia, que o país detia petróleo suficiente para mais de um século e que essa riqueza explicaria, segundo ele, o interesse americano em influenciar ou controlar o governo venezuelano.

"Os Estados Unidos estão ficando sem petróleo. A razão mais convincente pela qual os Estados Unidos querem instalar um governo aqui que seja subordinado a eles, ao império, como fizeram por tanto tempo, é o petróleo venezuelano. [...] Deixe-me dizer uma coisa. Nos últimos 100 anos, todos os governos na Venezuela que tentaram administrar seu petróleo de forma soberana foram derrubados, e eu me incluo nesse grupo. Fui deposto, mas só por dois dias", disse o ex-presidente venezuelano.

Ao ser questionado se tinha "paranoia" em relação aos EUA, foi categórico: "Não, de jeito nenhum. Sou apenas realista".

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