Putin defende invasão à Ucrânia como preventiva e fala em ameaça da Otan

Em discurso no tradicional desfile militar de 9 de maior na Praça Vermelha de Moscou, Putin também relacionou o na Ucrânia com o que aconteceu em 1945 e não esquece de classificar o adversário como neonazista
O presidente russo Vladimir Putin cumprimenta veteranos de guerra antes do desfile militar que celebra a vitória da URSS sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial (AFP/AFP)
O presidente russo Vladimir Putin cumprimenta veteranos de guerra antes do desfile militar que celebra a vitória da URSS sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial (AFP/AFP)
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AFP

Publicado em 09/05/2022 às 07:46.

Última atualização em 09/05/2022 às 08:48.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta segunda-feira, 9, que o exército do país luta na Ucrânia para defender a "pátria" contra uma "ameaça inaceitável" representada pelo vizinho apoiado pelo Ocidente.

Também disse que é necessário fazer todo o possível para evitar a repetição "do horror de uma nova guerra mundial", em discurso no tradicional desfile militar de 9 de maior na Praça Vermelha de Moscou que celebra a vitória soviética contra os nazistas em 1945.

Ao falar diretamente para as Forças Armadas, ele declarou: "Vocês lutam pela pátria, por seu futuro", afirmou o presidente diante de milhares de soldados.

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Ao comentar sua decisão de enviar tropas à Ucrânia em 24 de fevereiro, Putin reiterou que as autoridades ucranianas preparavam um ataque contra os separatistas pró-Rússia no leste do país, queriam desenvolver a bomba atômica e recebiam apoio da Otan, uma grave ameaça para a Rússia.

"Estava sendo formada uma ameaça totalmente inaceitável, diretamente, em nossas fronteiras", declarou, antes de voltar a acusar o país vizinho de neonazismo e classificar a ofensiva de "resposta preventiva" e "única boa decisão".

Dois meses e meio depois do início do conflito, os combates se concentram no leste do país. A Rússia se viu obrigada a reduzir suas ambições de tomar rapidamente o país e a capital, Kiev, diante da forte resistência das tropas ucranianas, armadas pelos países ocidentais.

Desde a chegada ao poder de Vladimir Putin em 2000, o tradicional desfile de 9 de maio celebra tanto a vitória soviética sobre a Alemanha nazista como a força da Rússia após a humilhação da queda da URSS.

O presidente russo também relaciona o conflito na Ucrânia com o que aconteceu em 1945 e não esquece de classificar o adversário como neonazista.

Putin também transformou o 9 de maio em uma data patriótica para os russos, embora a URSS tenha perdido 27 milhões de cidadãos na guerra.

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