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Presidente do México descarta intervenção militar dos EUA após conversa com Trump

Em meio a tensões com Washington, mandatária mexicana nega adoção do termo ‘narcoterrorismo’

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 17h01.

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A presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou nesta segunda-feira, 12 de janeiro, que a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos em território mexicano está “descartada”.

O esclarecimento foi feito após uma conversa telefônica com o presidente americano, Donald Trump, que recentemente havia sugerido ações terrestres contra cartéis do narcotráfico no país, informou a agência EFE.

Questionada, durante entrevista coletiva, se após a ligação a ameaça de intervenção havia sido eliminada, Sheinbaum respondeu de forma afirmativa: “sim”.

“Ficou muito claro na conversa que há colaboração, coordenação e que continuamos trabalhando conjuntamente nesse marco”, disse a presidente.

Ela explicou que decidiu buscar o diálogo com Trump após declarações do americano em que manifestava interesse em aumentar o envolvimento dos EUA nas questões de segurança no México. “(Trump) havia declarado três vezes que lhe interessaria ter mais participação na segurança no México”.

Sheinbaum avaliou que conversas diretas são preferíveis a declarações públicas ou comunicados. “É melhor falar por telefone. Além disso, há um antecedente de trabalho conjunto, então por isso solicitamos a ligação”, afirmou.

Segundo ela, uma nova conversa com o presidente americano deve ocorrer futuramente. “Porque o que queremos é que haja comunicação, que haja diálogo, que tenhamos entendimento. Isso sempre manifestamos”.

Críticas ao termo "Narcoterrorismo"

Ao ser questionada sobre a possibilidade de o México aceitar o uso do termo “narcoterrorismo” para embasar ações unilaterais dos EUA no país, Sheinbaum se posicionou contra. “Nossa Constituição e nossas leis falam de terrorismo em outro sentido. O crime organizado não pode ser catalogado como terrorismo; terrorismo tem a ver diretamente com ações contra o governo e outros esquemas. Então, não está no quadro da nossa legislação chamar assim”, destacou.

Mesmo com divergências, a presidente reforçou a intenção de manter relações diplomáticas estáveis com os EUA. “Somos vizinhos, porque somos parceiros comerciais e porque temos que buscar sempre um bom entendimento sem violar nossos princípios, que são muito claros e que sempre vamos manter”, afirmou.

Esta foi a primeira conversa direta entre Sheinbaum e Trump desde que o presidente americano mencionou a possibilidade de incursões militares contra os cartéis no México. O diálogo ocorre poucos dias após a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, transferidos para uma prisão em Nova York sob acusações de narcotráfico, entre outras.

(Com informações de agência EFE)

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