Índia: interesse externo começa a aparecer novamente. (chandlervid85/Freepik)
Repórter
Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 12h13.
O Produto Interno Bruto (PIB) da Índia cresceu 7,8% no trimestre encerrado em dezembro na comparação anual, abaixo da alta de 8,4% registrada no trimestre anterior.
A desaceleração foi puxada pela perda de fôlego do gasto do governo e do investimento, apesar do avanço robusto do consumo privado.
Para o ano fiscal que termina em março, o governo projeta crescimento de 7,6%, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do país, após a revisão da série de dados do PIB.
Pela metodologia anterior, a estimativa era de 7,4%. Mesmo com a desaceleração no fim do ano, a Índia segue como a economia de grande porte com maior ritmo de expansão no mundo.
O governo do primeiro-ministro Narendra Modi atualizou a base de cálculo do PIB para 2022/23 e ampliou as fontes de informação usadas nas estatísticas oficiais. A revisão busca responder a críticas sobre defasagem metodológica e aumentar a precisão dos indicadores de atividade econômica.
Com a nova série, o PIB nominal da Índia em 2025/26 — indicador que não desconta a inflação — é estimado em crescimento de 8,6%. Pelo critério antigo, a projeção para o próximo ano fiscal apontava alta nominal de 10%.
Ao longo do atual ano fiscal, a economia indiana foi impactada por incertezas comerciais e tarifas que afetaram as exportações. Em resposta, o governo acelerou reformas internas, com redução de impostos sobre o consumo em centenas de itens e avanço em mudanças trabalhistas que estavam paradas há anos.
No início do mês, Nova Délhi fechou um acordo interino com os Estados Unidos para reduzir tarifas efetivas a 18%, o que ajudou a aliviar tensões comerciais, embora o entendimento ainda não tenha sido formalizado. No cenário externo, decisões judiciais nos EUA sobre tarifas globais e a sinalização de novas alíquotas temporárias mantêm o ambiente de incerteza para o comércio.
Pela nova série do PIB, o consumo privado avançou 8,7% no trimestre de outubro a dezembro, acima dos 8% registrados no trimestre anterior, segundo a Reuters. Já os gastos do governo cresceram 4,7% na comparação anual, desacelerando frente à alta de 6,6% do trimestre anterior. O investimento privado também perdeu ritmo, com expansão de 7,8%, ante 8,4% no período anterior.
Na produção, a indústria de transformação cresceu 13,3% no trimestre, ligeiramente acima do trimestre anterior. Os setores de serviços financeiros e hospitalidade mantiveram desempenho sólido. A agropecuária, que emprega mais de 40% da força de trabalho do país, teve desaceleração, com crescimento estimado de 1,4% no ano fiscal, abaixo dos 2,3% observados anteriormente.