Economia

PIB deve desacelerar em 2025 e reduzir impulso neste ano, dizem economistas

Os dados oficiais serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na próxima terça-feira, 3

PIB: sinais de 2025 mostram que desaceleração deve seguir em 2026 (Getty Images)

PIB: sinais de 2025 mostram que desaceleração deve seguir em 2026 (Getty Images)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 2 de março de 2026 às 06h00.

Priorizar nos meus resultados Google

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve encerrar 2025 com crescimento de 2,3%, após expansão de 3,4% em 2024, consolidando um ciclo de desaceleração registrado desde o terceiro semestre, segundo estimativas de economistas e relatórios consultados pela EXAME.

Os dados oficiais serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na próxima terça-feira, 3 de março.

As projeções indicam estabilidade ou leve alta da economia no quarto trimestre. Na comparação com o terceiro trimestre, já com ajuste sazonal, as estimativas variam entre 0,1% e 0,3%.

Na comparação anual — quarto trimestre de 2025 frente ao mesmo período de 2024 — os economistas estimam avanço entre 1,6% e 1,8%.

Se confirmado, o resultado marca a menor taxa de crescimento anual desde 2020, excluído o período mais agudo da pandemia.

Mais do que o número fechado de 2025, o mercado olha para o chamado “carregamento estatístico” — o quanto o desempenho do fim do ano impulsiona automaticamente o ano seguinte, segundo os economistas.

O que subiu e o que caiu no quarto trimestre

Segundo relatório do Itaú BBA, assinado pelas economistas Natalia Cotarelli e Marina Garrido, o PIB deve ter crescido 0,1% no quarto trimestre ante o terceiro, com alta de 1,8% na comparação anual. A avaliação é de que a economia “ficou de lado” no fim do ano.

Pelo lado da oferta, o banco aponta desaceleração da indústria, sobretudo na indústria de transformação e na construção civil, segmentos mais sensíveis ao ambiente de juros elevados.

A produção doméstica de bens de capital recuou no período, o que afetou o desempenho do setor.

Em contrapartida, as economistas afirmam que a indústria extrativa voltou a registrar resultado robusto no ano, apoiada pela produção recorde de petróleo e gás natural, o que ajudou a compensar parte das perdas nos demais segmentos industriais.

No setor de serviços, o Itaú BBA espera aceleração para 2,1% na comparação anual, após 1,3% no terceiro trimestre.

O avanço deve ter sido puxado principalmente por Administração Pública e Outros Serviços, categoria que inclui serviços profissionais e prestados às famílias, sustentados pelo mercado de trabalho aquecido.

Na agropecuária, o banco projeta perda de ritmo, com crescimento estimado em 7,0% no quarto trimestre frente ao mesmo período de 2024, abaixo dos 10,1% registrados no terceiro trimestre.

Pela ótica da demanda, o Itaú BBA estima que o consumo das famílias tenha acelerado para 1,6% na comparação anual, ante 0,4% no trimestre anterior.

Já os investimentos, medidos pela formação bruta de capital fixo (FBCF), devem ter crescido 1,0% em 12 meses, abaixo dos 2,3% do terceiro trimestre.

O relatório destaca que o trimestre anterior foi favorecido pela importação de uma plataforma de petróleo e que, no fim do ano, houve recuo da produção doméstica de bens de capital.

Em relatório, a consultoria 4intelligence projeta crescimento de 1,7% na comparação anual e estabilidade em relação ao trimestre anterior.

Os analistas da consultoria estimam que a agropecuária mantenha crescimento relevante em relação a 2024, mas registre queda frente ao terceiro trimestre, já que o efeito mais intenso da safra recorde ficou concentrado no início do ano.

Para a indústria, a consultoria também prevê desempenho negativo na margem, com perdas em transformação e construção.

A extração mineral deve ter sido o principal destaque positivo. Nos serviços, a expectativa é de manutenção de comportamento predominantemente positivo, com destaque para informação e comunicação e segmentos ligados ao mercado de trabalho.

Pela ótica da demanda, a 4intelligence espera evolução positiva do consumo das famílias e do setor externo, com exportações crescendo acima das importações.

A FBCF, por outro lado, deve ter sido pressionada pela construção e pela fabricação de bens de capital, além da ausência de importação de plataforma de petróleo no trimestre.

Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, estima crescimento de 0,3% no quarto trimestre frente ao terceiro e alta de 1,7% na comparação anual.

Segundo ela, o resultado deve ter sido puxado pelo desempenho da agropecuária. Ao mesmo tempo, os dados de serviços, incluindo o varejo de dezembro, confirmam a tendência de desaceleração do consumo das famílias, em um cenário de menor oferta de crédito.

O que as projeções indicam para 2026

Segundo a 4intelligence, se o cenário para o quarto trimestre se confirmar, o carregamento estatístico — taxa de crescimento que o ano seguinte já “herda” apenas pelo desempenho do fim do ano anterior — para 2026 seria de apenas 0,1%.

Mesmo com esse ponto de partida, a consultoria mantém projeção de alta de 2,0% para 2026. A estimativa considera crescimento marginal em torno de 1% no primeiro trimestre, impulsionado por estímulos governamentais, como ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e nova liberação excepcional de saldo do FGTS, além de uma queda interanual pequena da agropecuária, com expectativa de outra safra recorde de soja.

Segundo Rafaela Vitoria, do Banco Inter, a tendência de desaceleração deve continuar neste ano, ainda como efeito da política monetária restritiva.

A economista afirma que novos impulsos fiscais e redução na taxa de juros podem contribuir para uma retomada mais lenta no segundo semestre. O banco estima avanço de 0,5% no primeiro trimestre de 2026 frente ao quarto trimestre de 2025.

Como mostrou a EXAME, a maioria das projeções aponta para um crescimento econômico entre 1,5% e 1,8% no próximo ano, mas com riscos como o cenário da economia nos Estados Unidos, a piora da percepção fiscal pelo mercado em um ano eleitoral e a inevitável necessidade de ajuste fiscal para 2027 podem agravar o resultado.

Acompanhe tudo sobre:PIB do BrasilPIBEconomia

Mais de Economia

Ata do Copom não descarta novos cortes da Selic mas cita 'aumento de incerteza'

BC mantém espaço para novo corte da Selic após eleições, dizem economistas

Com Selic a 13,75% ao ano, Brasil segue com o maior juro real do mundo

BC corta a Selic pela 5ª vez seguida e taxa de juros no Brasil cai para 13,75%