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Peru vai às urnas em eleição marcada por crise

Keiko Fujimori e Roberto Sánchez disputam segundo turno em meio à instabilidade política e avanço da criminalidade

Eleições: O candidato à presidência do Peru, Roberto Sánchez, do partido Juntos pelo Peru, prepara-se para votar no segundo turno das eleições gerais, em Lima (AFP/AFP Photo)

Eleições: O candidato à presidência do Peru, Roberto Sánchez, do partido Juntos pelo Peru, prepara-se para votar no segundo turno das eleições gerais, em Lima (AFP/AFP Photo)

Publicado em 7 de junho de 2026 às 16h53.

Os peruanos foram às urnas neste domingo, 7, para escolher o próximo presidente do país em uma disputa apertada entre a direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez. O vencedor será o nono presidente do Peru em apenas dez anos, reflexo da prolongada crise política que atinge o país.

Cerca de 27 milhões de eleitores participam do segundo turno, marcado pelo desgaste com a sucessão de quedas de presidentes desde 2016, além da crescente preocupação com a violência e as extorsões.

Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko tenta chegar à Presidência pela quarta vez. A candidata do Fuerza Popular aposta no discurso de estabilidade econômica e endurecimento na segurança pública, além de defender o legado do pai, que governou o país entre 1990 e 2000.

Já Roberto Sánchez, congressista e ex-ministro ligado à esquerda, ganhou força na reta final da campanha e chegou empatado tecnicamente com a adversária nas pesquisas. O candidato reivindica o legado político do ex-presidente Pedro Castillo e defende mudanças no sistema político e no combate à corrupção.

“Temos que escolher o mal menor”, afirmou à AFP o estudante Renzo Masa, de 23 anos, após votar em Lima. “Estamos em uma crise que já dura mais de uma década.”

Os dois candidatos somaram juntos menos de 30% dos votos no primeiro turno, realizado em abril, que foi marcado por falhas logísticas e denúncias de fraude eleitoral.

Durante a votação deste domingo, Fujimori voltou a alertar para o risco do “comunismo” caso Sánchez vença a eleição. “Esta eleição é entre ordem ou retrocesso”, afirmou a candidata.

Sánchez, por sua vez, moderou o discurso adotado na primeira fase da campanha e buscou sinalizar maior pragmatismo econômico. Em entrevista à AFP, disse que pretende manter uma relação “respeitosa” com os Estados Unidos e preservar a abertura econômica do país.

A insegurança se tornou o principal tema da disputa. As denúncias de extorsão cresceram nove vezes nos últimos cinco anos no Peru, enquanto a taxa de homicídios em Lima triplicou desde 2020.

Keiko propõe endurecer o combate ao crime com presença militar em presídios e áreas conflagradas, além de deportações de migrantes. Sánchez defende o enfrentamento da corrupção nas forças policiais e no sistema judicial.

Quem vencer encontrará um Congresso fragmentado e inclinado à direita, o que deve dificultar a formação de maiorias estáveis. Analistas locais avaliam que um resultado apertado pode ampliar ainda mais a polarização política no país.

O novo presidente tomará posse em 28 de julho e substituirá o mandatário interino José María Balcázar.

*Com informações da AFP

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