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'Peru com ordem': entenda o plano de governo da nova presidente Keiko Fujimori

Filha do ex-ditador Alberto Fujimori assume a Presidência nesta terça-feira e quer promover valores liberais

Nova presidente do Peru, Keiko Fujimori, carrega herança controversa, mas aposta no investimento  (AFP)

Nova presidente do Peru, Keiko Fujimori, carrega herança controversa, mas aposta no investimento (AFP)

Publicado em 28 de julho de 2026 às 14h22.

Última atualização em 28 de julho de 2026 às 14h24.

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Nessa terça-feira, 28, Keiko Fujimori assume a Presidência do Peru como a nona chefe de Estado do país em 10 anos. Após uma década de impeachments, renúncias e eleições acirradas contra o esquerdista Roberto Sánchez, ela foi eleita com um plano chamado "Peru com Ordem", que defende o livre mercado e o corte de burocracias, entre outras medidas.

Tradicionalmente, a economia do Peru foi marcada por uma gestão fiscal conservadora e por políticas econômicas voltadas à estabilidade. Esse modelo favoreceu o crescimento econômico e ajudou o país a atrair consistentemente investimentos estrangeiros.

Nesse cenário, a candidatura de Keiko Fujimori aposta principalmente na retomada do protagonismo do investimento privado e estrangeiro. A proposta se inspira nas reformas econômicas implementadas pelo governo de seu pai, Alberto Fujimori, na década de 1990, amplamente considerado um ditador.

Apesar do autoritarismo, o Peru, à época, aprovou mudanças legais que eliminaram a necessidade de autorização prévia para investimentos estrangeiros. Também garantiu a igualdade de direitos entre investidores nacionais e estrangeiros, a liberdade cambial e os mecanismos de estabilidade tributária, o que faz com que muitos peruanos tenham boas lembranças do presidente.

O governo de Alberto Fujimori promoveu, ainda, a privatização de empresas estatais dos setores elétrico, minerador e de telecomunicações. O país aderiu, inclusive, ao Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos (ICSID) e firmou acordos bilaterais de proteção de investimentos.

Ordem

O novo plano econômico de Keiko Fujimori, intitulado “Peru com Ordem”, defende a continuidade de uma economia de mercado livre. Entre as medidas propostas está um “choque regulatório” para reduzir burocracia e cortar em 40% o tempo de tramitação de projetos de investimento.

A mineração ocupa posição central nessa estratégia. O setor responde por quase 10% do PIB peruano e continua sendo uma das principais fontes de exportações e empregos, com destaque para cobre, zinco, prata, molibdênio, estanho e ouro.

O plano prevê mecanismos acelerados para a obtenção de licenças de projetos mineradores estratégicos e incentivos tributários ao reinvestimento dos lucros. Também propõe ampliar estradas, ferrovias e infraestrutura logística para conectar áreas de mineração a portos e mercados.

No setor de petróleo e gás, a proposta busca reverter anos de queda na produção e nos investimentos. O documento sugere vender ativos considerados não estratégicos da Petroperú, transferir a operação do Oleoduto Norperuano a um operador privado e estimular novos projetos na Amazônia e na costa norte.

A área de energia também recebe atenção especial. O plano fala em expandir fontes renováveis, como solar, eólica, geotérmica, biomassa e hidrogênio verde, além de acelerar projetos de transmissão elétrica estimados em US$ 3 bilhões e criar um “Hub Energético do Norte”.

Outro eixo é a infraestrutura. O programa inclui a Nova Rodovia Central, a conclusão de linhas do metrô de Lima, corredores ferroviários ligados aos principais portos, modernização de aeroportos, zonas econômicas especiais, obras de saneamento e grandes projetos de irrigação.

Analistas avaliam que a viabilidade dessas propostas dependerá menos do desenho econômico e mais da estabilidade política. Embora o partido Fuerza Popular tenha uma base parlamentar mais robusta que a de presidentes recentes, Keiko Fujimori precisará formar coalizões para aprovar parte das medidas em um país ainda marcado por forte polarização e volatilidade institucional.

Recuperação

Nos últimos anos, o Peru começou a se recuperar dos efeitos da pandemia de Covid-19 e das turbulências políticas que acompanharam o governo de Pedro Castillo, um dos mais controversos da década. Também pesaram os protestos sociais entre o fim de 2022 e o início de 2023 e as sucessivas mudanças de administração.

Com isso, indicadores mais recentes, apurados por especialistas da empresa de direito global Herbert Smith Freehills Kramer, mostram sinais de retomada econômica. O Produto Interno Bruto peruano cresceu 3,5% em 2024 e 3,4% em 2025, enquanto a inflação permaneceu abaixo da média global e das taxas observadas em várias economias desenvolvidas e emergentes.

Apesar da melhora, persistem desafios estruturais importantes. O déficit fiscal segue em torno de 2% do PIB, cerca de 70% da população trabalha na informalidade e aumentaram as preocupações com a segurança pública, a criminalidade, a corrupção e a mineração ilegal.

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