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Quem é Keiko Fujimori, a nova presidente do Peru?

Candidata de direita supera Roberto Sánchez por mais de 43 mil votos com quase 100% das urnas apuradas

Keiko Fujimori: nova presidente disputou quatro eleições até ser eleita (AFP)

Keiko Fujimori: nova presidente disputou quatro eleições até ser eleita (AFP)

Publicado em 24 de junho de 2026 às 08h22.

Keiko Fujimori conhece bem a derrota. Aos 51 anos, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori disputou e perdeu três eleições presidenciais no Peru. Agora, em sua quarta tentativa, está prestes a confirmar a vitória e comandar o país.

Candidata de direita, Keiko abriu uma vantagem que já não pode mais ser revertida na apuração final do segundo turno, segundo dados da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).

Com 99,86% das urnas apuradas, Fujimori soma 50,118% dos votos, contra 49,882% do candidato de esquerda Roberto Sánchez. A diferença supera 43 mil votos, enquanto restam cerca de 39,3 mil votos pendentes de contabilização em 131 seções eleitorais.

"Keiko", como é chamada pelos apoiadores, carrega legado ambivalente de seu falecido pai, que governou com mão de ferro na década de 1990 e ainda divide os peruanos.

Em um país que muda frequentemente de liderança, com oito presidentes desde 2016, ela não precisou fazer grandes esforços para se projetar na campanha eleitoral. Seu sobrenome é conhecido em todos os cantos do país andino.

"É uma 'marca' que está bem posicionada, gostem ou não", diz à agência de notícias AFP o cientista político Jorge Aragón.

Administradora graduada nos Estados Unidos, ela se apresenta como uma profissional da política. Foi parlamentar e líder do seu partido, Força Popular.

Fujimori cresceu nos corredores do poder e, aos 19 anos, já era uma figura presente no governo de seu pai. Ao lado dele, conviveu com chefes de Estado e líderes internacionais.

Sobrenome com sombras e luzes

Figura central da política peruana, Alberto Fujimori governou o país em tempos convulsos. Derrotou a sangrenta insurreição do grupo maoísta Sendero Luminoso e os guevaristas do MRTA, controlou uma hiperinflação, mas também foi condenado por corrupção e violações de direitos humanos.

Por décadas, Keiko não conseguiu se desvencilhar das luzes e sombras de seu sobrenome, que lhe garante contatos e um eleitorado sólido.

"Sinto falta dele", disse em uma entrevista à AFP na véspera da eleição. "Mas aonde quer que eu vá, as pessoas me lembram e me contam histórias", comentou.

No entanto, essa proximidade gera uma profunda rejeição, que já lhe fechou as portas do palácio do governo três vezes consecutivas. Milhões de peruanos se negam a votar em qualquer membro dessa família de origem japonesa.

"Nos últimos 25 anos, fomos governados por governos antifujimoristas", diz Fujimori, embora faça uma exceção ao governo de Alan García (2006-2011). "Todos os demais se dedicaram a insultar, a gerar ódio e divisão entre os peruanos", afirma.

Seus críticos lhe atribuem grande parte da instabilidade política do Peru, dada a forte influência de seu partido, a Força Popular, hábil em tecer alianças no Congresso.

Esta é sua primeira eleição sem o pai, falecido em 2024, e com a onda de criminalidade que atinge o país, principal preocupação dos peruanos, ela apostou em seu legado sob a palavra "ordem".

 'Filha abençoada'

Em seu círculo próximo, é descrita como "perseverante, determinada e disciplinada".

"Cada golpe que recebeu na vida não a quebrou; deixou-a ainda mais forte do que qualquer um poderia imaginar", disse à AFP Miki Torres, seu candidato a vice-presidente.

Ela também passou mais de um ano em prisão preventiva, investigada por suposta lavagem de dinheiro no escândalo de corrupção da Odebrecht. Vista como uma política beligerante, agora busca suavizar sua imagem e se apresentar de forma mais conciliadora.

"Ao longo de minha carreira política, eu também cometi erros, aprendi com eles; mas também me levantei com muito mais força", disse no último domingo em um debate presidencial.

Keiko, que em japonês significa "filha abençoada" ou "afortunada", é popularmente conhecida como "a chinesa", apelido que recebeu na escola por seus olhos puxados.

Esta mãe de duas jovens de 18 e 16 anos, divorciada de um americano, disse em uma entrevista que "aprender a ser mãe é mais difícil do que ser candidata presidencial".

Vão lembrar dela mais do que do pai? "Tenho uma meta difícil de alcançar, e espero alcançá-la", disse à AFP.

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