Redação Exame
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 08h39.
As autoridades espanholas confirmaram nesta segunda-feira, 19, que 39 pessoas morreram no grave acidente ferroviário em Adamuz, na província de Córdoba, no sul da Espanha.
O balanço oficial aponta ainda 73 feridos, dos quais 24 seguem internados em estado grave, incluindo quatro menores de idade, segundo atualização do Ministério dos Transportes após o encerramento das primeiras operações de resgate durante a madrugada.
O acidente ocorreu no domingo, 18, por volta das 19h30, quando um trem de longa distância da operadora Iryo, que fazia o trajeto Málaga–Madri, descarrilou ao acessar uma via auxiliar na estação de Adamuz e invadiu o trilho adjacente. Pouco depois, um trem de alta velocidade Alvia, da estatal Renfe, que seguia de Madri para Huelva, colidiu com os vagões tombados e também descarrilou.
Segundo o ministro dos Transportes e da Mobilidade Sustentável, Óscar Puente, os danos mais graves se concentraram nos dois primeiros vagões do Alvia, que transportavam 53 passageiros. Esses vagões foram arremessados para fora da linha e caíram em um barranco de cerca de quatro metros, concentrando a maior parte das vítimas fatais e dos feridos em estado crítico.
Informações preliminares indicam que, no momento da colisão, o Alvia trafegava a cerca de 200 km/h em um trecho reto da ferrovia, fator que contribuiu para a gravidade do impacto e reforçou o caráter atípico do acidente. O maquinista do trem da Renfe, de 27 anos, está entre os mortos, de acordo com o jornal El País.
A Iryo informou, em comunicado citado pela AFP, que o trem envolvido no descarrilamento foi fabricado em 2022 e passou por inspeção técnica no dia 15 de janeiro, três dias antes do acidente. A empresa afirmou que a composição “desviou para o trilho adjacente por razões ainda desconhecidas”. Puente classificou o episódio como “extremamente estranho”, destacando que tanto o trem quanto a infraestrutura da linha haviam sido recentemente renovados.
As causas do descarrilamento seguem sob investigação. A Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF), órgão técnico independente ligado ao Ministério dos Transportes, assumiu formalmente a apuração nesta segunda-feira. Criada em 2007, a comissão reúne engenheiros e especialistas em segurança ferroviária e poderá recorrer a laboratórios externos para determinar responsabilidades e elaborar um relatório oficial.
A resposta de emergência mobilizou dezenas de equipes médicas, ambulâncias, unidades de terapia intensiva e a Unidade Militar de Emergência (UME). Um hospital de campanha foi montado em Adamuz, e equipes de apoio psicológico foram acionadas em Madri, Córdoba, Huelva e Sevilha. A administradora ferroviária Adif disponibilizou um telefone gratuito para atendimento às famílias, enquanto a Iryo abriu um canal próprio de informações.
O impacto do acidente também atingiu o sistema ferroviário espanhol. A Adif suspendeu todas as conexões de alta velocidade entre Madri e cidades da Andaluzia, como Málaga, Córdoba, Huelva e Sevilha, até novo aviso, e a Renfe autorizou cancelamentos e remarcações sem custo.
Em meio ao luto, líderes europeus como Ursula von der Leyen, Roberta Metsola e Emmanuel Macron manifestaram solidariedade às vítimas e elogiaram o trabalho das equipes de resgate, ressaltando a dimensão internacional da tragédia, que ainda levanta mais perguntas do que respostas.
*Com informações do O Globo