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Nova tarifa dos EUA coloca Brasil 'em pé de igualdade', mas incerteza segue

Para o economista Sérgio Vale, taxa linear de 15% melhora competitividade das exportações brasileiras, mas imprevisibilidade de Trump mantém risco no cenário comercial

Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 13h59.

A nova tarifa global de 15% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, coloca o Brasil "em pé de igualdade" com outros países no mercado americano, mas o cenário segue marcado por incertezas.

A avaliação é do economista Sérgio Vale, em entrevista ao SBT News nesta segunda-feira, 23, ao analisar os impactos da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou o tarifaço e abriu caminho para a adoção da nova alíquota linear.

Para Vale, a decisão da Suprema Corte foi histórica, mas não elimina a instabilidade na política comercial americana.

"De fato, é histórico no sentido de que a gente teve um primeiro ano do Trump fazendo o que queria em relação à questão tarifária e finalmente a Suprema Corte se manifestou de uma forma correta. Agora o Trump não tem limites", afirmou.

Segundo ele, ao elevar a tarifa para 15% com base na seção 122 da legislação comercial, o presidente americano sinaliza que o protecionismo deve continuar. "A gente vai viver ao longo dos próximos cinco meses as consequências dessa tarifa e sabe-se lá o que vem depois", disse.

Na sexta, 20, Trump anunciou a imposição de uma tarifa global inicialmente fixada em 10% sobre importações, posteriormente elevada para 15%, após a Corte invalidar as taxas estabelecidas com base em poderes de emergência.

Segundo estudo da Global Trade Alert, Brasil e China estão entre os países mais beneficiados pela mudança, por registrarem as maiores reduções na tarifa média aplicada às exportações para os Estados Unidos.

Competitividade maior para o Brasil

Na avaliação do economista, o principal efeito para o Brasil é a recuperação de competitividade relativa no mercado americano.

"No caso brasileiro, essa avaliação é muito correta. A gente tem um pé de igualdade agora comparado com os outros países. A média ainda estava muito elevada e agora a gente tem uma tarifa que fica mais próxima do que é o resto do mundo. Então torna-se para a gente um pouco mais competitivo", afirmou.

De acordo com ele, dos quase 5 mil produtos afetados pelas mudanças, apenas 17 terão aumento de tarifa — casos em que a alíquota era zero e passou para 15%. "Quase todos a gente viu essa queda acontecer. 99,5% dos produtos vão ter uma queda significativa de tarifa no final", explicou.

Na prática, a maioria dos produtos brasileiros passa a pagar 15% para entrar nos Estados Unidos. Setores específicos, como aço e alumínio, continuam sujeitos a tarifas mais elevadas.

Incerteza do governo Trump

Apesar do ganho relativo, Vale ressalta que o ambiente permanece instável. "O Trump é imprevisível. O grau de incerteza em relação a essa questão comercial vai permanecer ao longo dos próximos três anos do mandato dele", afirmou.

Ele citou investigações em curso com base nas seções 232 e 301 da legislação americana, que podem resultar em novas tarifas.

"Tem o risco de eventualmente o presidente pressionar para que esses produtos tenham uma tarifa ainda mais agressiva do que se poderia imaginar", disse.

Para o economista, a política tarifária não atingiu os objetivos declarados pela Casa Branca. "Não adiantou nada, não trouxe indústria e manteve a balança comercial altamente deficitária como tinha sido em 2024. É uma política errada sob qualquer sentido", avaliou.

Segundo ele, houve também impacto sobre os preços ao consumidor. "A inflação americana se distanciou de 2% e ainda está distante. Muito dessa inflação está vindo justamente dessa pressão tarifária do ano passado", afirmou.

Na avaliação de Vale, a política comercial americana tende a acelerar mudanças nas relações globais de comércio.

"A balança comercial com os Estados Unidos piorou, com os chineses aumentou. A gente está saindo gradativamente da esfera americana em termos de comércio e se aproximando ainda mais dos chineses. Essa é a consequência que o Trump está fazendo ter com a reforma tarifária dele", disse.

Para o economista, embora o novo modelo represente uma melhora relativa para o Brasil, o cenário ainda é de cautela. "Pelo menos é uma tarifa que é a mesma para todo mundo. A gente começa em pé de igualdade a partir de agora", concluiu.

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