Irã: protesto contra o regime iraniano deixa milhares de mortos (Piero Cruciatti/AFP)
Repórter de Negócios
Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 14h13.
Em meio às denúncias internacionais de repressão violenta aos protestos que tomaram o país no último mês, a polícia do Irã negou neste domingo, 25, ter utilizado armas de fogo contra a população. O pronunciamento oficial ocorre após semanas de confrontos que já deixaram milhares de mortos, segundo organizações independentes de direitos humanos.
“As forças policiais não empregaram armas de fogo diante dos recentes distúrbios e apenas utilizaram meios dissuasórios para manter a segurança e prevenir assassinatos”, declarou à TV estatal o coronel Mehdi Sharif Kazemi, comandante da Unidade Especial da Polícia.
Kazemi afirmou que os agentes usaram recursos como canhões de água e armas de paintball — táticas classificadas como “não letais”. Segundo ele, os responsáveis pelas mortes não são membros das forças de segurança, mas sim “terroristas treinados”.
“Aqueles que cometeram violência e assassinatos foram terroristas treinados que buscavam a destruição e a morte”, afirmou o coronel.
Desde o fim de dezembro, o Irã vive uma onda de protestos que atingiu seu ponto máximo entre os dias 8 e 9 de janeiro. O governo classificou as manifestações como atos de terrorismo organizados por Estados Unidos, Israel e seus aliados, e respondeu com ações repressivas em várias regiões do país.
Segundo os dados oficiais do regime, mais de 3.100 pessoas morreram nos confrontos. Mas os números divulgados por organizações independentes são muito mais elevados.
A ONG HRANA, com sede nos Estados Unidos, confirmou 5.459 mortes e afirma investigar outros 17 mil casos relacionados à repressão. Relatos divulgados pela revista TIME sugerem que o número total de vítimas pode chegar a 30 mil, embora não haja confirmação independente.
A Anistia Internacional também se posicionou sobre o episódio, denunciando o que chama de “massacre”. A organização afirma haver evidências de uso de munição real por parte das forças de segurança iranianas, disparando inclusive do alto de delegacias e edifícios contra civis desarmados.
As declarações oficiais ocorrem em meio a uma crescente pressão da comunidade internacional. Países ocidentais, entidades de direitos humanos e observadores independentes acusam o governo iraniano de bloquear comunicações, impor censura digital e restringir liberdades civis.
Somado ao bloqueio da internet e à repressão aos protestos, o episódio reacende o debate sobre a governabilidade do regime iraniano e suas relações com o Ocidente. A instabilidade interna também pressiona o já frágil cenário econômico do país, que convive com sanções internacionais e inflação elevada.
(Com informações da agência EFE)