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Irã limita internet a 20 minutos por dia para comerciantes

Medida imposta durante apagão digital já dura 17 dias e levanta alertas sobre impacto econômico e isolamento internacional

Irã: apagão no país já dura 17 dias; protestos contra o regime continuam (Piero Cruciatti/AFP)

Irã: apagão no país já dura 17 dias; protestos contra o regime continuam (Piero Cruciatti/AFP)

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 13h27.

Última atualização em 25 de janeiro de 2026 às 13h30.

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Em meio a um apagão digital que já dura 17 dias, o Irã impôs uma medida drástica para controlar o acesso à internet no país. Comerciantes estão autorizados a se conectar por apenas 20 minutos por dia — e apenas sob supervisão presencial — nas câmaras de comércio de Teerã e de algumas capitais provinciais.

A informação foi confirmada por Majid Reza Hariri, presidente da Câmara de Comércio Irã-China, em entrevista ao portal iraniano Asriran. Segundo ele, os comerciantes precisam se registrar previamente e, depois, só podem acessar a rede sob o olhar atento de um observador. "Esse método não é ideal", disse Hariri. "Em 20 minutos, só é possível verificar alguns e-mails."

A justificativa oficial para o bloqueio é a prevenção a possíveis ataques cibernéticos. No entanto, o governo não esclareceu qual órgão realiza a vigilância nem quais tipos de conteúdo estão sendo filtrados ou bloqueados.

Hariri alertou que a medida compromete severamente as operações internacionais dos empresários iranianos. “Toda a nossa comunicação com outros países é realizada através de aplicativos de mensagens”, afirmou. “Precisamos encontrar soluções que protejam a infraestrutura do país sem paralisar os negócios.”

Prejuízo bilionário

A organização NetBlocks, que monitora a conectividade global, estima que cada dia de bloqueio à internet custe ao Irã mais de US$ 37 milhões em perdas econômicas diretas. A conta já ultrapassaria os US$ 600 milhões.

O bloqueio total foi instaurado em 8 de janeiro, quando protestos contra o governo — iniciados no fim de dezembro — atingiram seu ápice. As manifestações foram duramente reprimidas.

Segundo o governo iraniano, 3.100 pessoas morreram nos confrontos. Já a ONG HRANA, com sede nos Estados Unidos, fala em 5.495 mortos. O regime culpa os Estados Unidos, Israel e “agentes terroristas” pelos distúrbios. Entidades internacionais como a Anistia Internacional, por outro lado, acusam Teerã de promover um “massacre” ao reprimir os protestos.

(Com informações da agência EFE)

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