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Irã denuncia 'agressão ilegal' dos EUA ao Conselho de Direitos Humanos da ONU

No debate realizado em Genebra, os representantes de países do Golfo Pérsico também condenaram ataques iranianos em resposta às incursões dos EUA e de Israel

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 2 de março de 2026 às 14h16.

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O embaixador do Irã na Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra, Ali Bahraini, afirmou ao Conselho de Direitos Humanos que Estados Unidos e Israel promovem desde 28 de fevereiro um “ataque militar indiscriminado e massivo” contra o país. A declaração foi feita durante o debate geral do órgão.

Segundo Bahraini, a ofensiva viola a Carta da ONU. "Nos últimos dias, escolas e hospitais foram bombardeados, figuras civis, incluindo o Líder Supremo (Ali Khamenei), foram mortas, e a sede do Crescente Vermelho, junto com muitos outros prédios não militares, foi destruída", declarou.

O diplomata citou a morte de mais de 160 meninas em um dos ataques e afirmou que a ação contra o Irã "é um exemplo da supremacia da força sobre os direitos humanos". O posicionamento foi apresentado em sessão pública do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.

Representantes de países do Golfo Pérsico também discursaram no debate e condenaram ataques iranianos realizados em resposta às ações militares atribuídas a Estados Unidos e Israel. As delegações reafirmaram o direito à "autodefesa" diante do regime de Teerã.

A delegação do Kuwait declarou que os ataques representam "uma violação flagrante de nossa soberania, nosso espaço aéreo, o direito internacional, a Carta da ONU e o princípio das boas relações entre os países". O país solicitou que o Irã "cesse sua agressão e encerre qualquer ofensiva que coloque em risco a paz, a segurança e a estabilidade da região".

Os Emirados Árabes Unidos informaram que ataques iranianos em seu território resultaram em três mortes e 58 feridos civis. A delegação afirmou que o Irã não pode utilizar seu território “para acertar contas" e manifestou solidariedade a outros países árabes atingidos, defendendo diálogo e "soluções diplomáticas".

Catar e Arábia Saudita apoiaram os apelos por diálogo, enquanto o Iraque condenou tanto os ataques militares contra o Irã quanto aqueles direcionados a países do Golfo Pérsico.

Estados Unidos e Israel deixaram o Conselho de Direitos Humanos no início de 2025, após a posse do presidente americano, Donald Trump. Os dois países justificaram a saída ao alegar que o órgão, que completará 20 anos em 2026, mantém viés contra Israel.

(Com informações da agência EFE)

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