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Petróleo cai abaixo de US$ 100 com negociação entre EUA e Irã no radar

Cotações recuam mesmo após bloqueio naval dos EUA, com investidores apostando em solução diplomática; referência nos EUA, o petróleo do tipo WTI cai 2,07% e o Brent tem queda de 0,86%

Petróleo: mercado reduz prêmio de risco geopolítico diante de possível retomada das negociações. (Andriy Onufriyenko/Getty Images)

Petróleo: mercado reduz prêmio de risco geopolítico diante de possível retomada das negociações. (Andriy Onufriyenko/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 14 de abril de 2026 às 07h10.

Os preços do petróleo caíram abaixo de US$ 100 nesta terça-feira, 14, pressionados pela expectativa de uma nova rodada de negociações entre Estados Unidos (EUA) e Irã, o que pode evitar uma crise mais grave no abastecimento global.

O barril do West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA e com vencimento em maio, recua 2,07%, a US$ 97,03. Já o Brent, referência internacional, para junho, cai 0,86%, a US$ 98,53.

O movimento chama atenção porque acontece mesmo após o início de um bloqueio naval dos EUA contra portos iranianos. Na prática, o mercado parece apostar mais em uma saída diplomática do que em uma escalada imediata do conflito, segundo fontes ouvidas pela CNBC e pela Reuters.

Negociações aliviam

Os preços voltaram a ficar abaixo de US$ 100 depois de notícias de que representantes dos dois países podem se reunir ainda nesta semana, em Islamabad, no Paquistão.

A ideia é retomar as negociações e tentar encerrar o conflito, que provocou, em março, o maior salto mensal já registrado para o petróleo, com base em informações reportadas à Reuters.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã sinalizou interesse em um acordo, mas reforçou que não aceita qualquer pacto que permita ao país manter capacidade nuclear.

Uma fonte iraniana de alto escalão relatou à agência que "nenhuma data definitiva foi definida (para o encontro de negociações, e as delegações mantiveram a disponibilidade de sexta a domingo."

Demanda global

Além disso, a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) alertou para um cenário de "destruição de demanda", diante dos preços elevados e da oferta restrita.

A projeção agora é de queda de cerca de 80 mil barris por dia no consumo global em 2026 — uma revisão relevante em relação às estimativas anteriores, pontuou a CNBC.

Para o segundo trimestre, a expectativa é de um recuo ainda mais forte, de 1,5 milhão de barris por dia — o maior desde a pandemia de covid-19.

Tensão no Golfo

Apesar do alívio recente nos preços, o cenário segue tenso no Golfo. O bloqueio naval dos EUA após o avanço do Irã no Estreito de Ormuz coloca em risco cerca de 1,7 milhão de barris por dia exportados pelo país.

Washington afirma que o avanço das negociações depende agora de uma resposta de Teerã, com exigências como o fim do programa nuclear enriquecido e a adoção de inspeções rigorosas.

O Irã chegou a suspender atividades nucleares por até cinco anos, mas os EUA defendem que o prazo deve ser de 20 anos, reportaram também fontes ouvidas pelo New York Times.

Ao mesmo tempo, os EUA dizem que o bloqueio não impede a passagem de navios de outros países, em uma tentativa de evitar impactos maiores no comércio global.

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