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Zelensky propõe cessar-fogo total e convida Putin para reunião

Em resposta, governo russo falou que presidente ucraniano pode ir até o país "a qualquer momento"

Guerra Ucrânia e Rússia já dura quatro anos

Guerra Ucrânia e Rússia já dura quatro anos

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 4 de junho de 2026 às 19h40.

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, propôs nesta quinta-feira, 4, um "cessar-fogo total" e convidou o presidente russo, Vladimir Putin, para uma reunião direta com o objetivo de negociar o fim da guerra que já dura mais de quatro anos. Em resposta, o Kremlin afirmou que o líder ucraniano pode se reunir com Putin em Moscou "a qualquer momento".

Em uma carta aberta publicada no site da presidência ucraniana, Zelensky fez um raro apelo direto ao presidente russo.

"A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra por meio de um compromisso direto entre o senhor e nós. Proponho uma reunião", escreveu o líder ucraniano.

Segundo ele, Kiev está "disposta a um cessar-fogo total enquanto durarem as negociações", numa tentativa de destravar as conversas para encerrar o conflito mais mortal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Poucas horas depois, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Moscou está aberta ao encontro. "Zelensky pode vir a Moscou a qualquer momento", declarou, segundo a imprensa estatal russa.

Também nesta quinta-feira, Putin afirmou estar disposto a negociar uma saída para a guerra e citou conversas anteriores com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O líder russo, porém, manteve as exigências que vêm travando as negociações. Moscou segue cobrando concessões territoriais e políticas de Kiev, incluindo a retirada completa das forças ucranianas da região de Donetsk, no leste do país. O governo de Zelensky rejeita essas condições por considerá-las equivalentes a uma rendição.

Questionado sobre a possibilidade de um acordo, Putin indicou que isso não impediria a Rússia de manter o controle sobre áreas do Donbass atualmente ocupadas por suas tropas.

Combate continua

As negociações seguem em um momento de impasse. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou na quarta-feira que "nenhuma das duas partes esteve disposta a fazer as concessões necessárias para restabelecer a paz, particularmente do lado russo".

Enquanto a diplomacia avança lentamente, os combates continuam. Putin afirmou que as forças russas avançam "em toda a linha de frente", embora dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) indiquem que a Ucrânia recuperou cerca de 282 quilômetros quadrados de território em maio, reduzindo pelo segundo mês consecutivo a área sob controle de Moscou.

O presidente russo também anunciou planos para reforçar a defesa antiaérea do país após recentes ataques de drones contra instalações energéticas e militares em São Petersburgo.

"A Rússia tem um sistema de defesa antiaérea. Sim, precisamos melhorá-lo. Sim, precisamos reforçá-lo. E faremos isso", disse Putin. Ele ainda não descartou ampliar o uso do míssil balístico hipersônico Oreshnik contra cidades ucranianas, reiterando que o armamento tem capacidade para transportar ogivas nucleares.

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