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Groenlândia diz que deve ser defendida pela OTAN em caso de invasão dos EUA

Declaração responde às ameaças de Trump e destaca soberania groenlandesa dentro da aliança militar ocidental

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 16h36.

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O governo da Groenlândia reforçou nesta segunda-feira, 12 de janeiro, sua posição contra qualquer tentativa dos Estados Unidos de assumir o controle do território e declarou que a defesa da ilha deve ocorrer exclusivamente com o apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

O posicionamento é uma reação às recentes pressões do presidente dos EUA, Donald Trump, que voltou a defender que Washington deveria controlar a Groenlândia para impedir uma eventual ocupação por parte da Rússia ou da China, em razão da posição geoestratégica da ilha e de suas reservas minerais.

"Todos os estados membros da OTAN, incluindo os Estados Unidos, têm um interesse comum na defesa da Groenlândia", afirmou o governo de coalizão local, em comunicado. A nota reitera que "de forma alguma" a Groenlândia aceitará uma tomada de controle por parte dos EUA.

A Groenlândia é parte autônoma da Dinamarca e, desde 1979, conduz um processo gradual de independência. Embora esteja sob soberania dinamarquesa, o arquipélago é considerado membro da OTAN por meio da Comunidade Dinamarquesa, o que garante sua integração ao sistema de defesa ocidental.

O governo enfatizou que qualquer esforço de segurança na região deve ser feito em coordenação com os aliados da OTAN, rejeitando ações unilaterais.

O comissário europeu para Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, também se manifestou na segunda-feira e classificou como incompatível com os princípios da aliança qualquer tentativa de anexação militar da Groenlândia pelos EUA. Segundo ele, um movimento dessa natureza significaria "o fim da OTAN".

Pressão dos EUA

Trump propôs pela primeira vez a aquisição da Groenlândia em 2019, durante seu primeiro mandato. A sugestão não avançou e foi rejeitada por lideranças políticas nos Estados Unidos, inclusive dentro do Partido Republicano.

Atualmente, todos os partidos com representação no parlamento groenlandês apoiam o processo de autonomia plena. Em publicação no LinkedIn, o primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen reafirmou: "Somos uma sociedade democrática que toma suas próprias decisões. E nossas ações são baseadas no direito internacional".

Por que Trump quer a Groenlândia?

A localização da Groenlândia tem relevância geopolítica direta para os Estados Unidos, por estar posicionada na rota mais curta entre a Europa e a América do Norte. A região é estratégica para o sistema de defesa dos EUA, especialmente no monitoramento de mísseis balísticos.

O interesse militar norte-americano na ilha ártica envolve a possível ampliação de infraestrutura de defesa, incluindo radares voltados para a vigilância do Atlântico Norte. O objetivo é reforçar o controle sobre a área marítima entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido — corredor conhecido por ser utilizado por embarcações da marinha russa e submarinos com capacidade nuclear.

Dados de tráfego marítimo apontam que a maior parte da movimentação chinesa no Ártico concentra-se no lado do Pacífico, em especial na Rota Marítima do Norte, próxima ao território russo, informou a emissora americana CNN. Já a Rússia utiliza com maior frequência sua própria costa ártica para transporte naval, mas os submarinos do país circulam regularmente pelas águas entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido.

Esse corredor marítimo, conhecido como GIUK Gap (sigla para Greenland, Iceland, United Kingdom), representa uma das principais rotas de saída de submarinos russos do Mar de Barents para o Atlântico. A vigilância nessa área é considerada prioritária pelas forças da OTAN, sigla para Organização do Tratado do Atlântico Norte.

A ampliação da presença militar na Groenlândia, sob jurisdição do Reino da Dinamarca, também faz parte de um movimento mais amplo dos EUA para manter vantagem estratégica no Ártico, região que tem ganhado atenção renovada em razão do degelo e da abertura de novas rotas comerciais.

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