Repórter
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 14h14.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, declarou nesta segunda-feira, 5 de janeiro, que uma eventual ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Groenlândia colocaria fim à aliança da OTAN.
Em entrevista concedida à emissora local TV2, Frederiksen reforçou sua preocupação com as declarações do presidente americano, Donald Trump, sobre assumir o controle da Groenlândia, ilha autônoma sob administração dinamarquesa.
“Acredito que se deva levar a sério o presidente americano quando ele diz que quer a Groenlândia”. Na sequência, ela acrescentou: “Mas também deixo claro que, se os EUA optarem por atacar militarmente outro país da OTAN, tudo para, inclusive a OTAN e, consequentemente, a segurança estabelecida desde o fim da Segunda Guerra Mundial.”
A fala da premiê dinamarquesa ocorre após relatos de preocupação entre autoridades em Copenhague com a insistência do presidente Donald Trump em estabelecer controle sobre a Groenlândia.
A movimentação do governo norte-americano ganhou novo fôlego após a operação em Caracas, neste fim de semana, na qual forças dos EUA detiveram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Trump tem reiterado que o controle da Groenlândia seria necessário para garantir a segurança dos Estados Unidos. Durante conversa com repórteres a bordo do Air Force One, neste domingo, 4 de janeiro, o presidente indicou um novo prazo para retomar o tema.
“Vamos nos preocupar com a Groenlândia daqui a uns dois meses”, disse Trump. “Vamos falar sobre a Groenlândia daqui a 20 dias.”
Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada de sábado, 3 de janeiro, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.
A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.
Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.
A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.
Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.
Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.