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Dinamarca diz que impasse com EUA sobre a Groenlândia é “encruzilhada”

A primeira-ministra evitou dizer se a Dinamarca possui um plano de contingência para o caso de os EUA tentarem de fato assumir a Groenlândia pela força

Groenlândia: EUA e Dinamarca vivem um impasse (Andreas Mortensen/Reuters)

Groenlândia: EUA e Dinamarca vivem um impasse (Andreas Mortensen/Reuters)

Publicado em 11 de janeiro de 2026 às 15h30.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, declarou neste domingo que a Dinamarca, a Europa e seus aliados vivem uma “encruzilhada” diante do “conflito” com os Estados Unidos em torno do controle da Groenlândia.

A premiê reiterou que o mundo como tem sido conhecido até agora pode chegar ao fim se o presidente americano, Donald Trump, decidir tomar pela força o território autônomo da Dinamarca, que também integra a Otan.

“Estamos em uma encruzilhada e este é um momento decisivo. Se (...) os americanos derem as costas à aliança ocidental ao ameaçarem um aliado, então o mundo irá parar”, afirmou Frederiksen durante um evento de Ano Novo do Partido Social Liberal, de acordo com a emissora “TV2”.

A primeira-ministra social-democrata evitou dizer se a Dinamarca possui um plano de contingência para o caso de os EUA tentarem de fato assumir a Groenlândia pela força, como já advertiu Trump. Ela explicou que há questões sobre as quais prefere não se manifestar publicamente neste momento.

Frederiksen, que reconheceu não conversar com Trump sobre a Groenlândia desde janeiro do ano passado, afirmou que a Dinamarca precisa deixar claro que não abrirá mão de “valores fundamentais” na reunião prevista para a próxima semana entre os chanceleres da Dinamarca, da Groenlândia e dos Estados Unidos.

A premiê também concordou com o líder do Partido Social Liberal, Martin Lidegaard, ao defender que a Dinamarca deve convencer os EUA de que não apenas o país nórdico, mas toda a Europa, leva a sério a questão da segurança no Ártico.

Ainda assim, admitiu não saber se conseguirá convencer Trump de que ele não pode simplesmente se apossar da Groenlândia, conforme relatou o jornal “Berlingske”.

Questionada sobre a possibilidade de uma reunião com Trump, Frederiksen disse que ambos costumam ser muito diretos nas conversas e que, talvez, este não seja o melhor momento para um diálogo entre os dois.

Por outro lado, a chefe do governo dinamarquês afirmou estar satisfeita com o apoio recebido de outros aliados da Otan no “conflito” envolvendo a Groenlândia. “Existe um conflito em torno da Groenlândia, infelizmente, devo acrescentar. Recebemos um apoio massivo dos países da Otan e estou muito satisfeita com isso”, declarou.

Apesar das tensões, Frederiksen ressaltou que os Estados Unidos seguem sendo o principal aliado da Dinamarca. Ao responder, ela fez referência ao passado, à Segunda Guerra Mundial e à forte presença militar americana na Europa naquele período.

Lidegaard, porém, avaliou que esse cenário mudou e disse não acreditar que a Dinamarca vá “recuperar os Estados Unidos que conhecíamos”. “Acredito que a UE e os países europeus são agora nossos aliados mais próximos”, afirmou o líder do Partido Social Liberal.

Já a líder do Partido Conservador, Mona Juul, afirmou que a Dinamarca enfrenta uma “situação difícil”, mas destacou que o país não pode abrir mão da parceria com os americanos.

“Os Estados Unidos continuam sendo um aliado forte e devem continuar sendo. Também devemos seguir deixando isso claro para os americanos”, disse Juul.

Ela acrescentou estar satisfeita com o fato de “vários” países da Otan considerarem o envio de soldados à Groenlândia, em resposta à avaliação de Trump de que a ilha ártica não estaria bem protegida contra China e Rússia.

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