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Exportações da China desaceleram e importações sobem 27,8% em março

Vendas externas crescem 2,5% e ficam abaixo do esperado, enquanto importações aceleram com impacto da guerra e alta de energia

 (CN-STR/China OUT/AFP)

(CN-STR/China OUT/AFP)

Publicado em 14 de abril de 2026 às 07h27.

O ritmo das exportações da China perdeu força em março, em meio ao impacto do conflito no Oriente Médio sobre a demanda global.

As vendas externas avançaram 2,5% na comparação anual, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas chinesa. O resultado ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pela Reuters, que projetavam alta de 8,6%, e também desacelerou em relação ao salto de 21,8% registrado em janeiro e fevereiro combinados.

Na direção oposta, as importações cresceram 27,8% em março na comparação anual, o maior avanço desde novembro de 2021. O número superou com folga as projeções de mercado, que apontavam alta próxima de 11%.

O desempenho também acelerou frente ao crescimento de 19,8% observado nos dois primeiros meses do ano.

O superávit comercial da China somou US$ 264,3 bilhões até o fim de março, queda de 3% em relação ao mesmo período do ano passado, após recorde no início do ano.

Guerra pressiona demanda global

A desaceleração das exportações reflete o ambiente externo mais adverso. “A incerteza do cenário macro global, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, provavelmente pesou sobre a demanda”, afirmou Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, à CNBC.

Apesar disso, ele avalia que a China tende a ser menos afetada do que outros países exportadores, devido à escala e à eficiência de seu setor manufatureiro.

Alta do petróleo deixa ambiente 'complexo'

O vice-ministro das Alfândegas da China, Wang Jun, afirmou que os preços globais do petróleo têm apresentado “forte volatilidade”, criando um ambiente comercial “complexo e severo”.

Mesmo com estoques estratégicos elevados e uma matriz energética diversificada, a economia chinesa segue vulnerável a uma desaceleração global, especialmente se houver interrupções prolongadas no Estreito de Ormuz.

Segundo Zhang, a alta dos custos de energia não pode ser totalmente repassada aos consumidores externos, o que tende a reduzir o saldo comercial.

Queda nas exportações aos EUA

As exportações chinesas para os Estados Unidos recuaram 26,5% em março na comparação anual, refletindo o impacto das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump.

No mesmo período, as importações vindas dos EUA avançaram 1%.

O comércio com o Oriente Médio também caiu em março, após dois meses de alta. O porta-voz das alfândegas, Lyu Daliang, defendeu “esforços conjuntos para estabilizar e reduzir as tensões” na região.

*Com informações da AFP

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