(Sahar AL ATTAR / AFP/Getty Images)
Repórter
Publicado em 14 de abril de 2026 às 07h57.
O conflito no Oriente Médio chega ao 7º dia de cessar-fogo, ainda sob forte fragilidade.
Nesta terça-feira, 14, o presidente da China, Xi Jinping, defendeu um cessar-fogo “integral e duradouro” durante reunião em Pequim com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan.
Segundo a agência estatal Xinhua, Xi afirmou que a solução para o conflito passa por meios políticos e diplomáticos e que a China seguirá atuando de forma “construtiva” para promover a paz.
O líder chinês também ressaltou a necessidade de respeitar a soberania e a integridade territorial dos países do Oriente Médio e criticou o uso seletivo do direito internacional.
A tensão se intensificou após o anúncio dos Estados Unidos de bloquear e interceptar navios no Estreito de Ormuz, depois do fracasso das negociações com o Irã no Paquistão.
A China classificou a medida como “perigosa e irresponsável” e afirmou que ela pode agravar a crise e “minar o já frágil cessar-fogo”, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun.
O estreito, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, já vinha sendo afetado por restrições ao tráfego marítimo impostas pelo Irã em resposta ao conflito com Estados Unidos e Israel.
Autoridades árabes afirmaram que a Arábia Saudita também tem pressionado os Estados Unidos a abandonar o bloqueio e retomar as negociações. O receio é que o Irã amplie a resposta e atinja outras rotas estratégicas, como o estreito de Bab al-Mandeb, no Mar Vermelho, fundamental para as exportações sauditas de petróleo.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou que as negociações com o Irã não foram um fracasso total, apesar de não haver acordo sobre pontos considerados centrais.
“Também acredito que algumas coisas correram bem”, disse em entrevista à Fox News. Segundo ele, o Irã demonstrou alguma flexibilidade, mas “não cedeu o suficiente”.
A possibilidade de novas conversas permanece indefinida e depende da disposição do governo iraniano.
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), o conflito já provocou a maior interrupção de oferta de petróleo da história.
Ataques à infraestrutura energética e o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz resultaram na perda de 10,1 milhões de barris por dia em março, de acordo com o relatório mensal da agência.
A guerra também alterou as projeções globais de consumo. A IEA passou a prever desaceleração da demanda, com expectativa de contração mais intensa no segundo trimestre de 2026, no maior recuo desde a pandemia de covid-19.
O fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz caiu para 3,8 milhões de barris por dia no início de abril, bem abaixo dos mais de 20 milhões registrados antes do início do conflito.
Segundo a IEA, a reabertura do estreito é o principal fator para aliviar a pressão sobre preços, oferta de energia e atividade econômica global.