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EUA suspendem envio de brigada militar à Europa como parte do plano de Trump

Cancelamento da decisão ocorreu quando tropas e equipamentos já estavam em deslocamento para o continente europeu

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 14 de maio de 2026 às 14h55.

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O Pentágono interrompeu o envio de uma brigada blindada à Polônia, em uma decisão que amplia os sinais de redução da presença militar dos Estados Unidos na Europa sob a gestão de Donald Trump.

A medida integra uma reorganização da estratégia de defesa americana, com prioridade maior ao território nacional e à região do Indo-Pacífico. Segundo o Wall Street Journal, a suspensão ocorreu quando tropas e equipamentos já estavam em deslocamento para o continente europeu.

A operação envolvia a 2ª Brigada de Combate Blindada da 1ª Divisão de Cavalaria, unidade com mais de 4 mil militares. Parte da formação, chamada “Black Jack”, já havia iniciado a movimentação antes da ordem de cancelamento, de acordo com integrantes do Departamento de Defesa dos EUA.

A decisão ocorre enquanto Washington revisa sua estrutura militar na Europa, processo que inclui a retirada de 5 mil soldados da Alemanha. O anúncio foi feito neste mês, após críticas do chanceler alemão, Friedrich Merz, sobre a condução da guerra dos EUA contra o Irã.

Trump afirmou recentemente que pretende cortar “muito mais do que 5 mil” militares posicionados na Alemanha. O presidente americano também mencionou a possibilidade de retirar efetivos instalados na Itália e na Espanha.

A revisão da presença militar americana segue a diretriz do Pentágono de ampliar a responsabilidade dos países europeus pela própria segurança. Paralelamente, os EUA pretendem direcionar mais recursos para defesa doméstica e para o Indo-Pacífico.

Nesse cenário, o cancelamento do envio da brigada foi visto por integrantes das Forças Armadas como uma aceleração do plano em discussão. Oficiais militares defendiam uma redução gradual das tropas na Alemanha, com mudanças feitas ao longo do tempo. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, mas, decidiu antecipar os cortes e suspender uma missão que já havia começado.

A comunicação da decisão ocorreu durante encontro entre o Comando Europeu dos EUA e o Estado-Maior do Exército na Europa e África, segundo uma autoridade americana. Até então, a orientação militar previa que a brigada não fosse substituída após o período regular de nove meses, sem cancelar o deslocamento antes da conclusão.

O movimento também acontece em meio a atritos políticos entre Washington e aliados europeus. No mês passado, o WSJ informou que o governo Trump estudava retirar tropas de países que não apoiaram os EUA durante a guerra contra o Irã.

Apesar disso, a relação entre EUA e Polônia segue próxima. Donald Trump chegou a mencionar recentemente a possibilidade de transferir parte das tropas instaladas na Alemanha para território polonês, fator que ampliou a repercussão da decisão em Varsóvia.

O ministro da Defesa da Polônia, Władysław Kosiniak-Kamysz, declarou que a medida não afeta diretamente o país e está associada a mudanças mais amplas na estrutura militar americana na Europa. Segundo ele, a combinação entre o fortalecimento das Forças Armadas polonesas e a presença dos EUA mantém a segurança no flanco leste da Otan.

A Otan informou que pretende preservar uma presença militar ampla na região, apesar das mudanças adotadas pelos Estados Unidos.

Trump amplia revisão da presença militar americana no velho continente

O cancelamento da brigada se soma a outras decisões recentes do Pentágono para reduzir a atuação militar americana no continente europeu. Neste mês, o governo dos EUA anunciou a reversão de um plano da gestão anterior que previa o envio à Alemanha de um batalhão equipado com mísseis convencionais de longo alcance.

No ano passado, Washington também decidiu retirar uma brigada de combate da Romênia.

Com as alterações, a quantidade de militares americanos na Europa deve voltar a patamares semelhantes aos registrados em 2022, antes da invasão da Ucrânia pela Rússia. A mudança marca uma nova etapa da estratégia militar dos EUA para o continente europeu.

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