Repórter
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 06h49.
Os Estados Unidos atacaram duas plataformas de lançamento de foguetes do Irã na ilha de Larak, no Estreito de Ormuz, no domingo, 30, na primeira ofensiva americana contra forças iranianas em mais de um mês.
Teerã respondeu com mísseis contra duas bases dos EUA na Jordânia, segundo a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
O novo confronto aumenta a tensão em torno do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás do mundo. A reação dos mercados foi imediata: os preços do petróleo ultrapassaram US$ 90 por barril diante do temor de novos impactos sobre o fluxo de energia.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), forças da IRGC foram identificadas preparando foguetes com minas marítimas para serem lançados no Estreito de Ormuz. Washington classificou a movimentação como uma ameaça iminente à navegação comercial.
O ataque atingiu dois lançadores na ilha de Larak, território iraniano localizado no estreito. A ofensiva foi mais limitada do que a última grande operação americana contra o Irã, em 29 de julho, quando dezenas de alvos foram atingidos.
A IRGC afirmou ter lançado mísseis e drones contra duas bases americanas na Jordânia, Al Azraq e Rei Hussein. Segundo a organização, os ataques provocaram danos às instalações.
A Jordânia, porém, informou que seus sistemas de defesa aérea interceptaram oito mísseis que entraram em seu espaço aéreo. Não houve registro de danos ou vítimas, segundo as autoridades jordanianas.
O Irã também afirmou ter realizado ataques com drones contra uma base americana nos Emirados Árabes Unidos. Essas informações não tiveram confirmação independente.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta segunda-feira, 31, que o país não pretende iniciar uma guerra, mas que responderá a ataques contra seu território.
“Não buscamos a guerra”, disse Pezeshkian antes de viajar ao Quirguistão para participar de uma reunião da Organização para Cooperação de Xangai. Segundo o presidente, o Irã não ficará passivo diante de “agressões”.
A declaração ocorre após semanas de impasse nas negociações entre Washington e Teerã. O conflito entre os dois países já dura cerca de seis meses e, apesar de períodos de redução da violência, um acordo para encerrar as hostilidades não avançou.
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das rotas mais importantes para o comércio global de energia. Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás consumidos no mundo passava pela região.
Os Estados Unidos afirmam ter concluído na semana passada a retirada de minas de uma rota internacional de navegação. Ainda assim, o tráfego permanece sob pressão, enquanto Washington mantém um bloqueio naval aos portos iranianos e os dois lados se acusam mutuamente de violar um acordo firmado em junho para reabrir a passagem.
A retomada dos ataques reacendeu o temor de interrupções no fornecimento de energia do Oriente Médio. O petróleo passou de US$ 90 por barril, incorporando ao preço o risco de uma nova escalada militar na região.
O impacto econômico pode aumentar caso os confrontos atinjam diretamente o tráfego pelo Estreito de Ormuz.
Além do petróleo, uma interrupção prolongada poderia pressionar custos de transporte, inflação e preços de combustíveis em diversos mercados.