Patrocinado por:
Clone por IA: estudo aponta que criminosos estão usando deepfakes (Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 06h01.
A fraude digital no Brasil deixou de se concentrar apenas no roubo de senhas e passou a mirar a própria identidade da vítima.
Levantamento inédito da Certta, hub de verificação inteligente, e da Nexus, empresa de pesquisa e inteligência de dados, mostra que organizações criminosas vêm migrando para o que os pesquisadores chamam de "clonagem de identidades" — o uso combinado de voz, fotos e vídeos capturados na internet, processados por ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa, para simular credenciais hiper-realistas e se passar por pessoas reais.
Segundo o estudo "Mapa de Confiança Digital", que analisou conteúdos publicados entre janeiro e julho de 2026, o debate especificamente sobre manipulação de dados somou 2,8 mil menções nas redes sociais no período — o equivalente a 7,3% de todas as conversas mapeadas sobre desafios diários de segurança enfrentados pelo consumidor, que totalizam 39,7 mil menções.
Dentro desse recorte, a manipulação de identidade aparece fortemente associada a danos financeiros diretos, e táticas envolvendo Pix e transações somam 9,1 mil menções, o equivalente a 23% do total analisado.
Segundo os pesquisadores, os dados mostram como os avanços tecnológicos vêm mudando a própria percepção de risco do consumidor brasileiro, que passa a temer que alguém consiga fabricar uma identidade convincente o suficiente para conquistar sua confiança.
"Para quem atua na prevenção de fraudes, esse cenário já faz parte de uma realidade que acompanhamos. Mas, para a sociedade, a possibilidade de alguém usar sua imagem, sua voz ou seus dados para se passar por você pode ser assustadora e aumenta a sensação de vulnerabilidade", diz Rodrigo Lattaro, CMO da Certta.
Apesar da sofisticação crescente das fraudes, o comportamento de busca dos usuários brasileiros mostra que a população ainda está em fase inicial de entendimento sobre o tema.
Segundo dados de motores de busca analisados no levantamento, o termo "o que é deepfake resumo" lidera as pesquisas no Bing, com 3,6 mil buscas.
No Google, as consultas mais recorrentes combinam dúvidas conceituais com questionamentos sobre a legalidade da prática — "deepfake é crime" (210 buscas), "o que é deepfake exemplos" (210) e "o que é deepfake e como funciona" (170).
A preocupação do público, segundo o levantamento, não se limita à criação de identidades falsas por IA.
O debate sobre "Dados Pessoais e LGPD" (Lei Geral de Proteção de Dados) somou 3,3 mil menções, ou 8,3% das conversas sobre segurança no cotidiano.
Dentro desse grupo, o SIM swap — sequestro de linha telefônica, quando o número da vítima é transferido para outro chip sem autorização — aparece como uma das vulnerabilidades associadas à exposição e manipulação de dados, abrindo caminho para fraudes financeiras e comprometendo mecanismos tradicionais de proteção, como a autenticação por SMS.
Máquina contra máquina: o plano do TikTok para a eleição de 2026"Quando compreendemos que uma pessoa não é representada por uma única informação, mas por um conjunto de dados e comportamentos que ajudam a construir sua identidade, também ampliamos nossa capacidade de identificar onde existem vulnerabilidades", afirma Lattaro.
A Nexus extraiu e analisou menções e buscas relacionadas a segurança digital entre 1º de janeiro e 22 de julho de 2026. A coleta em redes sociais — Facebook, Instagram e X — somou mais de 60 mil menções e 44 milhões de interações via social listening, complementada por análise de intenção de busca no Google e no Bing (Answer The Public), além de estudo qualitativo de narrativas no fórum Reddit.