Delcy Rodríguez: ' (JUAN BARRETO/AFP)
Redação Exame
Publicado em 30 de agosto de 2026 às 16h38.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o país manterá a posse e o controle soberano sobre suas reservas de petróleo após o novo acordo firmado com o governo dos Estados Unidos.
A declaração contraria as afirmações do presidente norte-americano, Donald Trump, que anunciou a assinatura do "maior acordo de petróleo da história mundial" e sustentou que os EUA haviam assegurado o "controle majoritário" de mais de 65 bilhões de barris das reservas venezuelanas.
Em pronunciamento na televisão estatal, a liderança venezuelana esclareceu que os 17 campos estratégicos incluídos na parceria continuam sob propriedade da Venezuela. A meta do plano é elevar a produção nacional para 1,5 milhão de barris por dia.
Pelo desenho do acordo, a Venezuela receberá US$ 19 por barril vendido. A expectativa do governo interino é que a iniciativa atraia US$ 100 bilhões em investimentos privados de empresas norte-americanas para reestruturar a infraestrutura do setor, gerando uma receita fiscal estimada em US$ 204 bilhões para o país.
A sinalização de abertura ocorre em meio à flexibilização gradativa das sanções aplicadas por Washington. Entre janeiro e julho, a produção venezuelana atingiu 1,2 milhão de barris diários — alta de 29,8%, mas ainda distante dos 3 milhões de barris registrados há duas décadas. A petroleira americana Chevron lidera as negociações para expandir suas operações no território venezuelano.
As justificativas de Rodríguez respondem a questionamentos de setores políticos e da própria base chavista sobre a eventual perda de soberania e a distribuição dos retornos econômicos à população. O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) declarou apoio às medidas econômicas como forma de superar os efeitos do bloqueio e das sanções impostas na última década.
Especialistas avaliam que a expansão da capacidade produtiva levará tempo para impactar os indicadores sociais do país. Analistas do setor petrolífero estimam que os efeitos práticos dos investimentos privados devem ser percebidos em um prazo de três a quatro anos, diante da incapacidade financeira da estatal PDVSA de aportar recursos próprios na exploração dos campos.