Carros elétricos: carregador ultrarrápido chega ao Brasil
Colunista
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 06h30.
O primeiro carregador ultrarrápido para carros elétricos acaba de chegar ao Brasil. Demonstrada pela Denza na última quinta-feira, 28, durante o Festival Interlagos, a tecnologia batizada de Flash Charging promete levar a bateria dos 10% aos 70% em cinco minutos e dos 10% aos 97% em nove minutos.
Em formato de “T”, o aparelho utiliza polias suspensas para manter o cabo fora do chão (facilitando o encaixe em qualquer lado do veículo) e seu conector foi feito para reduzir o peso percebido pelo usuário, que pode manuseá-lo com apenas uma mão.
Segundo a marca de luxo chinesa, o sistema Flash Charging foi desenvolvido para operar também em situações extremas, com termômetros marcando -30º C. Nesse caso, são 12 minutos para ir dos 20% aos 97% de carga.

O primeiro Flash Charging do Brasil será instalado (estima-se que até o fim do ano) na concessionária Denza de Brasília (DF), e a expectativa é que todas as lojas da divisão premium da BYD recebam a tecnologia. A marca planeja 1.000 carregadores do tipo no País até o fim de 2027.
“Ao igualar o tempo de recarga daquele necessário para abastecer um carro convencional com combustível, a tecnologia reduz uma das principais barreiras à adoção da mobilidade elétrica e torna essa experiência cada vez mais prática para o consumidor”, afirma Alexandre Baldy, vice-presidente sênior do Grupo BYD no Brasil.
No entanto, com potência de até 1.500 kW por conector CCS2, por ora o Flash Charging só servirá a dois modelos da Denza: a perua Z9 GT, de R$ 670 mil, e a van D9, que entrará em pré-venda por R$ 750 mil. A linha esportiva Z também será compatível.
Eduardo Zambelli, diretor de Eletromobilidade da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva), explica que atualmente a maior parte dos modelos eletrificados vendidos no Brasil trabalha com potências entre 100 kW e 250 kW, chegando a cerca de 350 kW em alguns casos. Mesmo conectado a um carregador mais potente, o veículo só utilizará a potência que sua tecnologia permite.
“A tendência é que essa capacidade aumente gradualmente, começando por modelos mais sofisticados à medida que novas arquiteturas sejam incorporadas aos veículos. Ao mesmo tempo, a infraestrutura de recarga também precisa acompanhar essa evolução. O Brasil vem ampliando sua rede, mas ainda está mais concentrado em aumentar a oferta de pontos de recarga do que em instalar equipamentos de altíssima potência”, explica Zambelli.

De acordo com o engenheiro, não há previsão de quando carregamentos acima de 600 kW estarão disponíveis para uma parcela maior dos veículos vendidos no País.
“Cada montadora tem sua própria estratégia de desenvolvimento, e essa evolução também depende da capacidade da rede elétrica e dos investimentos em infraestrutura. O avanço, portanto, precisa acontecer nas duas pontas: nos veículos e na rede de recarga”, conclui.