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Preço do barril do petróleo ainda pode superar US$ 100, afirmam gestores

Gestores veem estoques baixos de diesel e queda do xisto dos EUA como gatilhos para nova alta

Petróleo: gestores veem risco de nova disparada dos preços em 2027. (Freepik)

Petróleo: gestores veem risco de nova disparada dos preços em 2027. (Freepik)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 26 de agosto de 2026 às 08h24.

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O petróleo ainda não subiu como muitos investidores esperavam com a guerra no Irã. O Brent, referência internacional, não fechou acima de US$ 100 no último mês; pelo contrário, vem operando abaixo de US$ 90. Para gestores especializados em commodities, porém, o mercado pode estar apenas adiando uma alta muito maior.

Responsáveis pelo Goehring and Rozencwajg Natural Resources Equity Fund, Leigh Goehring e Adam Rozencwajg projetam que o petróleo passe de US$ 100 por barril durante boa parte de 2027, segundo a revista americana Barron's.

A previsão contrasta com a de Wall Street, porque bancos esperam média de US$ 86 no quarto trimestre e de US$ 78 no próximo ano, enquanto a curva de futuros aponta para cerca de US$ 77 daqui a 12 meses.

A aposta dos gestores não depende apenas da duração da guerra ou da situação do Estreito de Ormuz. O argumento central é que a oferta global pode ficar mais apertada quando consumidores começarem a recompor estoques de combustíveis e a produção americana perder fôlego.

Por volta das 8h17 (horário de Brasília), os contratos futuros do Brent, parâmetro global de preços, caíam 3,04%, a US$ 85,89, enquanto os do West Texas Intermediate (WTI, referência nos Estados Unidos) recuavam 2,71%, a US$ 80,15.

O que está por trás da aposta

Um dos sinais mais preocupantes aparece no diesel. Os preços estão próximos de níveis recordes, enquanto a demanda mundial pressiona uma oferta já limitada. Refinarias da Rússia, China e do Oriente Médio estão produzindo menos do que o habitual em razão das guerras no Irã e na Ucrânia.

Com a produção menor, empresas têm recorrido aos estoques para abastecer o mercado. Na avaliação de Rozencwajg, essas reservas já estão próximas do limite mínimo. "Pessoas que dependem dos estoques de diesel estão em pânico em todo o mundo", afirmou o gestor à Barron's.

O fim da guerra também não necessariamente resolveria o problema de imediato. Se o tráfego por Ormuz voltar ao normal, países que reduziram as compras durante a crise podem retornar ao mercado para reconstruir seus estoques. Isso criaria uma onda adicional de demanda por petróleo.

Rozencwajg compara esse risco ao início da pandemia de covid-19, quando os primeiros alertas sobre problemas nas cadeias de suprimentos pareceram exagerados antes de a escassez se espalhar rapidamente. "E então, caiu a ficha de uma só vez", disse.

Xisto americano pode virar gargalo

O petróleo de xisto nos Estados Unidos foi responsável por grande parte do crescimento da produção mundial na última década, mas os gestores avaliam que esse motor está perdendo força.

De acordo com Goehring, as empresas americanas não estão investindo o suficiente em novos projetos. Ele prevê que a produção de xisto comece a cair nos próximos meses e afirma que não existe outro conjunto de projetos capaz de substituir rapidamente essa oferta.

Essa combinação poderia reproduzir, em escala diferente, o movimento visto entre 2002 e 2008. Naquele período, uma oferta insuficiente ajudou a levar o petróleo a uma alta de quatro a cinco vezes. Na avaliação do executivo, o mercado não estava incorporando adequadamente o risco de escassez.

A aposta do fundo

O posicionamento dos gestores acompanha essa visão de oferta mais restrita. Em vez de escolher uma gigante integrada como a Exxon Mobil, que possui negócios diversificados, incluindo produtos químicos, eles preferem companhias com exposição mais direta ao petróleo.

Entre as apostas estão as produtoras canadenses Canadian Natural Resources e Suncor Energy. A preferência se deve à expectativa de que as areias do Canadá mantenham a produção por mais tempo que os poços de xisto americanos, que declinam mais rapidamente.

O fundo também aposta em empresas de serviços de petróleo offshore (no mar), segmento que passou por anos de demanda fraca e levou algumas companhias à falência ou à reestruturação. Com produtoras novamente buscando alternativas para ampliar a oferta, os gestores veem potencial em nomes como Seadrill e SLB.

Fundo tem histórico de apostas contrárias

O fundo investe em ações ligadas a commodities e concentra posições quando identifica uma tese macroeconômica. Desde o fim de 2015, acumula retorno anualizado de 14%. Nos últimos cinco anos, a média é de 21%, mais que o dobro do S&P Global Natural Resources Index.

O desempenho em 2026, contudo, ficou abaixo dos benchmarks. Até 31 de julho, o fundo acumulava alta de 6,4%, prejudicado, entre outros fatores, por ter perdido parte da valorização das ações de refinarias.

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